6 desafios para melhorar a capacitação de professores no Brasil

2 de setembro de 2015
6 desafios para melhorar a capacitação de professores no Brasil

Não é mistério para ninguém que a educação brasileira seja um dos maiores desafios de políticas públicas do país. Isso porque, mesmo quando alcançamos postos de destaque como a de sétima maior economia do mundo, o padrão de qualidade do nosso ensino nunca conseguiu sair da lanterna dos 65 países avaliados pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Na última avaliação, em 2012, ocupamos a 58ª posição. Ainda segundo o estudo, apenas 40% dos alunos do 5º ano tem conhecimento de português adequado para a sua série e somente 10,3% dos alunos da 3ª série do Ensino Médio tem conhecimento adequado em matemática.

 

Do outro lado da mesa, a realidade dos professores: segundo o relatório, o Brasil conta com 2 milhões de professores lecionando com necessidade de capacitação – profissionais esses que orientam uma base de 45 milhões de alunos (!). Uma prova de que as licenciaturas estão cada vez mais vazias e, os professores, cada vez mais sobrecarregados. Com esses dados, uma pesquisa realizada pelo Instituto Ayrton Senna, com foco nas novas demandas do ensino do século XXI, deu a deixa para encontrar uma saída viável em curto prazo: ao entrevistar três mil educadores entre professores, diretores e coordenadores pedagógicos, o estudo “Formação Continuada de Professores no Brasil” apontou que um aluno pode aprender de 47% a 70% a mais se exposto a bons professores. O caminho? A formação constante destes profissionais.

 

Confira aqui os principais desafios para capacitação de professores no Brasil.

1. Falta de incentivos formais

Segundo a pesquisa “Formação Continuada no Brasil”, a maioria dos professores que investem em formação continuada tiram recursos do próprio bolso, já que não encontram apoio do Estado para esse tipo de investimento. Quando a situação é, então, de baixa remuneração, como acontece na maioria dos estados, fica claro o porquê é tão baixo o índice de formação continuada no Brasil

2. Escassez de tempo por parte dos professores

Segundo o Censo escolar 2011, 22% dos professores brasileiros trabalha em duas ou mais escolas de Educação Básica. Já uma pesquisa feita pelo Ibope em 2007 na rede de ensino pública do Estado de São Paulo revelou  que 30 mil dos 250 mil professores (12% do total) faltavam ao trabalho sob justificativa de distúrbios psíquicos causados pelo trabalho. A rotina estressante, que inclui geralmente o trabalho em mais de uma instituição acrescido de hora-atividade, em que o professor deve desenvolver o plano de aula e corrigir um volume imenso de avaliações de alunos de diferentes turmas no contraturno das aulas acaba por afastar o docente das suas próprias salas de aula, já que não lhe sobra tempo para atividades de formação.

 

professores sem tempo

3. Lacunas e conteúdos pouco aplicáveis no dia a dia

A pesquisa realizada pelo Instituto Ayrton Senna aponta que a maior parte dos conteúdos ministrados em instituições brasileiras são de caráter coletivo, pontual e fora da sala de aula. Por outro lado, os países que apresentam os melhores índices no Pisa adotam metodologias de ensino customizadas, práticas e dentro das salas de aula, além de com coaching com professores que têm mais experiência. É o caso da Finlândia, Austrália, China, Estados Unidos, Chile, México e Portugal.

4. Preferência por ações de curto prazo e alta visibilidade

Países com modelos democráticos ainda pouco maduros têm práticas comuns que buscam a manutenção de poder. Uma delas é a de investir sempre em políticas que sejam de curto prazo (ou seja, apresentem resultados enquanto o responsável está no poder) e que tenham alta visibilidade, para garantir reconhecimento aos políticos e, uma possível reeleição, por exemplo. Esse tipo de mentalidade é um dos principais motivos para que mudanças estruturais não sejam assumidas na educação brasileira, o que interefere diretamente na formação de professores também.

5. Falta de alinhamento das ações de continuidade com os planos de carreira e desenvolvimento pessoal dos professores

Além da baixa remuneração, muitos professores brasileiros reivindicam também a existência de planos de progressão de carreira que, na maioria das profissões, está ligado ao desenvolvimento pessoal do profissional e, assim, funciona como um estímulo para o investimento em mais capacitação.

 

professor estudando

6. Alta rotatividade do corpo docente

Força política de novo: segundo o Censo Escolar de 2012, dos 1.327.526 professores efetivos no Brasil, 507.166 são contratados em caráter temporário. A instabilidade do vínculo de trabalho ainda se complica com outra realidade: muitos deles perdem o emprego a cada troca de governo da localidade onde atuam. Desta forma, muito do conhecimento que é produzido na instituição se perde e deixa de evoluir com o entra e sai de professores a cada ano.

 

corrigir provas

 

Para não ir tão longe e provar que o Brasil consegue, aos poucos, encontrar o caminho para uma educação de qualidade, vale a pena citar que muitos estados brasileiros apresentam cases de sucesso quando o assunto é boas práticas na formação continuada de professores. Segundo o estudo, em Goiás há um programa de tutoria pedagógica, em que professores itinerantes observam as aulas. Já em Minas, destaca-se a avaliação de desempenho dos alunos como um sinalizador para pensar a formação do docente. Em Sobral investe-se na avaliação casada (alunos e professores) e na produção de materiais para atender as necessidades dos professores do município. Já em Venda Nova do Imigrante, foi desenvolvido na educação infantil im sistema de observação da sala de aula.

 

Curioso para saber quais são os caminhos para a melhor capacitação dos professores? Dê uma olhada:

  • Institucionalizar a importância da formação continuada (campanhas de conscientização, certificação voluntária de escolas e avaliações de órgãos externos)
  • Estabelecer de forma clara e transparente o ciclo de desempenho e desenvolvimento (plano de carreira ligado ao desempenho, instrumentos de avaliação, elaboração de processos e ferramentas para o desenvolvimento individual, sistema de incentivos)
  • Revisar o conteúdo e a abordagem das iniciativas atuais (reforçar abordagens mais práticas e colaborativas, conteúdo que fomente sistematização de aulas, melhoria e disseminação do ensino à distância, ajustes de iniciativas)
  • Revisar a legislação (elaboração de currículo nacional único de formação de professores, certificação de docentes em exercício, tempo mínimo dedicado à formação continuada, sistema de consequências para baixo aproveitamento)

Se você continua interessado em quais caminhos o Brasil pode continuar investindo para formar professores melhor alinhados com os alunos do século XXI, não deixe de baixar gratuitamente o e-book Manual do Professor Moderno.

 

manual do professor moderno