Ajuda para professores: a tecnologia como aliada

4 de novembro de 2015
ajuda para professores

A internet já faz parte da vida das escolas, professores e alunos em todo o país. Dados da TIC Educação 2014, pesquisa elaborada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostra que 97% das escolas brasileiras são equipadas com computadores e 93% têm acesso a internet. Agora, se a universalização do acesso das máquinas e dos serviços já chegou, é preciso dar um passo além: usar a tecnologia para mudar a vida de quem faz parte do ambiente escolar.

E, para atingir esse objetivo, é preciso reconhecer que a educação também vive na era da Revolução Tecnológica e que esta não pode se desenvolver plenamente sem que tenha no ensino um forte aliado. Métodos tradicionais como as anotações em quadro negro, a cópia dos conteúdos em cadernos e as aulas presenciais podem ser substituídos por outras práticas sem que, com isso, a qualidade da aprendizagem e do ensino seja afetada.

Os professores, cada vez mais, têm adotado em sala de aula (e também fora dela) experiências tecnológicas para se destacar no ambiente de ensino, encontrar novas formas de conteúdo, aumentar o aprendizado e, consequentemente, o conhecimento de seus alunos, trazer a inovação. Mas a tecnologia também pode ter outro objetivo: mudar a vida do professor, dando a ele melhor qualidade de vida. Esses são alguns pontos que mostramos no artigo de hoje. Boa leitura!

Atraindo a atenção dos alunos

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Se a rotina de começar a dar aulas no começo da manhã e esticar o trabalho até o fim da noite pode ser bem desgastante, não há nada pior quando isso vem acompanhado de um ambiente escolar ruim. Um desafio enfrentado por professores nos dias de hoje é atrair (e manter) a atenção dos estudantes, que muitas vezes acham mais interessante se distrair nas redes sociais ou com jogos nos seus smartphones a se concentrar no que é transmitido dentro da sala de aula.

Fato é que o estudante do século XXI é bem diferente do aluno do século passado. E é fundamental que o docente do século XXI saiba se adaptar às diferenças entre esses dois cenários. Uma das soluções, talvez a principal delas, é saber usar a tecnologia a seu favor. É preciso vencer a resistência de muitos gestores de ensino, dos próprios professores e até pais de alunos que veem a tecnologia como uma forma de dispersão. Ensinar não é somente ficar de pé em frente a uma classe e preencher o quadro negro com anotações. Se usadas de uma forma inteligente, ferramentas e dispositivos podem instigar a curiosidade dos estudantes, atualizar o conhecimento de professores e garantir melhor ensino e melhor aprendizado.

Algumas delas são básicas, outras um pouco mais elaboradas, como mostramos a seguir:

Resumindo o conteúdo em slides

O Power Point é uma ferramenta antiga, mas ainda assim há gente que não sabe usar ou explorar todas as suas potencialidades. Sintetizar os conteúdos em pontos mais importantes e organizá-los em slides facilita a explicação na hora da aula. O mais importante aqui é resumir explicações em uma frase. Isso não significa que o conteúdo a ser passado para os alunos será raso, mas que funcionem como um gatilho na hora da aula para relembrar tudo aquilo que necessita dizer. Além de tópicos com frases e palavras-chave, você pode acrescentar vídeos, animações, fotos, ilustrações, links, ou seja, uma série de ferramentas para agregar conteúdo aos seus slides.

Se você já conhece e sabe mexer no Power Point, uma dica é tentar usar outra ferramenta parecida, o Prezi, que oferece mais opções e apresentações dos slides mais bonitas e atrativas. Não esqueça de compartilhar os arquivos de slides com os alunos, para que eles possam usar o roteiro como base para os estudos fora da sala de aula.

Aproveitando os vídeos gratuitos

Há milhares de documentários e filmes completos (dublados e legendados, para todos os gostos), em plataformas de vídeo, como o Youtube. Alguns sites ajudam a garimpar esse tesouros escondidos, basta procurar. Você pode sugerir os vídeos como atividade complementar ou passá-los em sala de aula, seguidas por explicações.

Além disso, a empresa criou uma ferramenta voltada para a educação: o Youtube Edu, que reúne mais de 8 mil vídeo-aulas separadas por disciplinas: biologia, ciências, espanhol, física, geografia, história, inglês,  matemática, português e química – além de conteúdos voltados especificamente para provas, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Armazenando e compartilhando fotos

Você pode reunir um álbum de fotos para compartilhar com os alunos. Em uma aula de História, por exemplo, é fundamental exibir mapas, pinturas e outras obras de arte para explicar (e ilustrar) o contexto histórico. Uma dica valiosa é armazenar as imagens em nuvem – ou seja, elas não estão salvas em um arquivo no computador, mas na rede, ou seja, podem ser acessadas de qualquer lugar.

Se você tem uma conta no Google, uma boa alternativa é usar o Picasa. O Flickr permite além do armazenamento de fotos, também de vídeos de até um minuto e meio. Com o Photobucket você pode até fazer edições em seus materiais – além disso, a ferramenta funciona como uma rede social, onde você pode ter acesso a fotos de outras pessoas.

Gravando (e se acostumando com) a sua própria voz

Arquivos de áudio podem ser de grande utilidade. Além de não ocuparem menos espaço que os vídeos, com eles você pode compartilhar as gravações do que foi discutido em sala de aula. Ou então gravar pequenas “pílulas” em formato radiofônico para que os alunos se recordem do que foi ensinado em determinada matéria. São os chamados podcasts. Abaixo, alguns softwares e aplicativos que podem te ajudar.

  • Audacity: permite gravar e editar os áudios
  • Easypodcast: para quem quer uma ferramenta descomplicada
  • Evoca: permite gravar, editar e compartilhar seus podcasts
  • Ardour: bom para conversar que envolvem mais de uma pessoa

Mapas interativos

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Você se lembra quando era aluno e o professor ou a professora traziam, da biblioteca, aqueles mapas antigos para mostrar uma determinada região? O aluno da última fileira rapidamente se dispersava, porque não conseguia enxergar o mapa lá na frente. As aulas de História ou de Geografia ficam mais interessantes quando os alunos conseguem identificar as regiões estudadas em um mapa interativo.

Uma das ferramentas mais interessantes é o Google Earth, que mostra, via satélite, imagens de qualquer região do planeta, como em uma viagem no espaço.

Mas existem ainda outras ferramentas que podem contribuir nesse processo, como os aplicativos para computadores e smartphones. Um deles é o aplicativo desenvolvido pela Khan Academy, fundação do educador norte-americano Salman Khan. Com ele é possível acessar uma série de vídeos e exercícios de diversas matérias e ampliar o horizonte de conhecimento. O aplicativo pode ser baixado tanto para iOS quanto para Android, neste site, ou nas lojas virtuais da Apple Store e Google Play.

Que tal se capacitar à distância?

É certo que professores atualizados, bem informados e críticos produzem aulas melhores, conseguem transmitir mais segurança e atuam como uma espécie de liderança para os seus alunos. Mas nem todas as escolas investem o quanto deveriam na capacitação de seus profissionais, seja por estimular ou investir na formação de um curso de especialização ou de pós-graduação, por exemplo. Além disso há um fator primordial, que muitas vezes impede que os professores se dediquem a continuar estudando: a carga horária. Para complementar a renda, docentes chegam a ter, às vezes,  dois ou três empregos (que ocupam todos os três turnos do dia), revezando-se entre escolas públicas e privadas e perdendo tempo no deslocamento entre uma e outra. Sem descanso ou com pouco tempo para realizar com qualidade as tarefas desses empregos, como investir em um curso que exige presença e dedicação constante?

Uma alternativa barata e que economiza tempo pode ser encontrada em instituições que oferecem cursos gratuitos e à distância para professores ou quaisquer interessados em um determinado tema.

E, pesquisando direitinho, fica fácil até para encontrar cursos com temas interessantes e ministrados por professores competentes e que dão aulas nas melhores universidades do mundo. Para se ter uma ideia, as famosas Harvard, Cambridge e Oxford, por exemplo, mantém canais de cursos gratuitos e de temas de diversas áreas do conhecimento. Os cursos, em geral, podem fornecer apenas vídeos de aulas dos docentes ou apresentar toda uma organização em módulos, com exercícios ou trabalhos em grupos. Em geral, esses cursos são chamados MOOCs (sigla em inglês para Massive Online Open Courses – ou, em bom português, Cursos Online Abertos e Massivos).

Uma vantagem é que, inscrito em algum desses cursos, você pode organizar o seu dia como melhor lhe convir para poder se dedicar ao conteúdo do curso quando tiver tempo, seja no começo ou no final de um dia ou até mesmo no fim de semana. Se não é possível separar, por exemplo, uma hora por dia para se dedicar ao curso, você pode tirar o atraso nos sábados ou domingos. Outro diferencial é que, por ser online, milhares de pessoas de diversos lugares do mundo costumam recorrer a esses cursos para se capacitar. A troca de informações, então, fica ainda mais rica.

Para você não ficar perdido sobre onde procurar os cursos, selecionamos algumas plataformas que agregam esses MOOCs em um só lugar. Você pode estudar sobre história da arte ou física quântica em alguma universidade estrangeira ou nacional e agregar valor ao seu currículo.

O Coursera é uma dessas plataformas. Criada por professores da Universidade de Stanford, na Califórnia, Estados Unidos, reúne em um só site 1.477 cursos de 135 instituições parceiras. Ao todo, a ferramenta calcula ter formado mais de 16 milhões de aprendizes. A Veduca é uma plataforma brasileira que conta com mais de 800 mil estudantes cadastrados. Ela agrega cursos online das melhores instituições de ensino do Brasil, como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade de Campinas (Unicamp) e também de universidades das mais renomadas em todo o mundo, como a Massachussets Institute of Technology (MIT) e a Universidade de Harvard. Alguns cursos, inclusive, oferecem certificados para os estudantes que realizarem todas as etapas do processo de ensino.

Aumentando a qualidade de vida

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Você, um dia, certamente já se perguntou se não haveria uma outra maneira de gastar menos tempo com atividades que não agregam conhecimento (seja ele teórico ou prático), mas que, mesmo assim, precisam ser feitas por você: é o caso da correção de provas. Corrigir questões fechadas de centenas de alunos divididos em várias turmas de uma mesma série é desgastante. Além de levar uma pilha de provas para baixo e para cima, é mais do que comum que os professores não consigam corrigir tudo de uma vez e acabem levando trabalho para casa.

Ou seja, além de uma atividade de certa forma burocrática, você perde momentos importantes da sua vida tendo que extrapolar as horas de trabalho às quais você já se programa para lidar todos os dias. No entanto, essa é uma das questões em que a tecnologia pode ajudar de uma forma direta não só economizando tempo, mas dinamizando a atividade – vantagem para o professor e para o aluno.

O Prova Fácil na Web é um aplicativo de correção de provas elaborado pela Starline, uma empresa nacional voltada para a tecnologia na educação. Com ele, as correções que duravam dias e podiam demorar até serem entregues aos alunos para que eles tivessem acesso às suas notas, gerando ansiedade, são feitas na hora. Depois de diagramar e elaborar uma prova de múltipla escolha, o professor armazena o gabarito oficial pelo aplicativo. Com as provas dos alunos em mãos, o docente utiliza a câmera de seu smartphone para “escanear” o teste. Assim, o aplicativo faz o restante e compara a folha de respostas com o gabarito preenchido pelo professor. Em instantes, você já poderá saber a nota de cada aluno.

Além disso, o Prova Fácil na Web tem outras funcionalidades que deixam a atividade de correção de provas mais completa. Essas são algumas das funções:

  • Diagramar provas pelo aplicativo
  • Gerenciar um banco de questões
  • Obter a nota do aluno em tempo real
  • Comparar a nota com a de outros alunos
  • Traçar a evolução do estudante nas provas

Fora as vantagens práticas, é importante estar atento a outros benefícios que também são obtidos com o uso dessa tecnologia, como o aumento da qualidade de vida do professor. Pense bem, se a ferramenta economiza tempo de quem a utiliza, evitando que o trabalho seja levado para casa, sobra mais tempo para planejar as próximas aulas, ou simplesmente, descansar, curtir mais tempo com a família ou ter mais atividades de lazer.

Organizando o seu tempo

Se você tem o costume de utilizar tablets ou smartphones para se comunicar – ou até ajudar na preparação de suas aulas – uma dica importante é utilizá-lo como agenda. Há dezenas de aplicativos que te ajudam a organizar melhor seus dias e suas semanas. Com os horários de seus compromissos pessoais e profissionais adicionados, é mais fácil saber quando é que você terá um tempinho livre ou quando é melhor montar aquela aula especial que os alunos estão esperando. Aqui vão algumas dicas de aplicativos que te ajudam a planejar o dia:

  • Google Agenda: Para quem gostar de usar os serviços da Google, como o Gmail, o Chrome, o Maps ou o Youtube, este aplicativo cai como uma luva. Os compromissos que você faz por email, como uma viagem, são automaticamente atualizados para o Google Agenda. Ele divide os dias e marca a duração de cada compromisso. Além disso, o programa te avisa com antecedência sobre cada um deles e te pergunta onde você vai, para poder traçar a melhor rota utilizando os mapas do Google Maps.
  • Google Drive: Outra ferramenta interessante da Google, que reúne em um aplicativo todos os documentos que você trabalhar em seu computador ou no smartphone, em formatos já conhecidos por todos nós, semelhantes ao Word, Excell ou Power Point. Com isso, você pode levar suas aulas para qualquer lugar e trabalhar em cada conteúdo de onde quiser.
  • Sunrise: Mobilidade também é palavra-chave para este aplicativo, que pode ser usado tanto no computados de sua casa ou trabalho, quanto no seu smartphone. De forma intuitiva e com poucos cliques, você organiza seu dia.
  • Wunderlist: Um pouquinho mais complexo para mexer, já que oferece diversas opções aos usuários. Uma vantagem é que você pode compartilhar uma ou mais tarefas com colegas de trabalho ou amigos. No entanto, é preciso ter cuidado para não misturar atividades pessoais e profissionais.

Um outro aplicativo interessante é o GridClass, um sistema que elabora quadros de horários de uma maneira muito mais simples, utilizando combinações e algoritmos. Pesquisas já apontaram que gestores e professores gastam em média dois meses do ano para elaborar e definir os horários do próximo semestre letivo. Isso porque algumas dificuldades devem ser levadas em conta na hora de elaborar um bom quadro de horários. Uma delas é que professores de escolas privadas, sobretudo, trabalham em mais de uma escola, cada uma com horários diferentes e distantes umas das outras. Outra dificuldade é conciliar docentes, disciplinas, turmas e séries de modo que a carga horária atribuída a cada um fique equilibrada.

Atenção à sua saúde

Uma pesquisa feita pelo Ibope em 2007 com docentes da rede de ensino pública do Estado de São Paulo revelou que 30 mil dos 250 mil professores, 12% do total, faltavam ao trabalho sob justificativa de distúrbios psíquicos causados pelo trabalho. Um ano antes – ainda com dados referentes a São Paulo – a rede de ensino acolheu 140 mil pedidos de licenças médicas, com média de duração de 33 dias de afastamento, em cada uma.

Além de prejuízos para o governo (que investe dinheiro público em docentes afastados do trabalho por motivo de doença) e para os alunos (que muitas vezes com a falta de professores substitutos ficam sem aulas), são inúmeros os problemas de saúde de professores causados por uma rotina de trabalho estressante: aumento da pressão, dores de cabeça, insônia, ansiedade, nervosismo, desmotivação, ganho ou perda de peso, entre outros. Dentre as causas dessas doenças estão:

  • Excesso de trabalho dentro e fora da sala de aula
  • Falta de tempo para descanso e planejamento do trabalho
  • Rotina estafante
  • Falta de um bom ambiente de trabalho
  • Falta de apoio da família e amigos

Tendo isso em mente, vai uma reflexão: com as dicas que demos neste post, o quão importante é investir em tecnologia, quando ela pode ajudar a diminuir o desgaste e trazer resultados melhores para professores e alunos dentro de sala de aula? Se convencer de que as ferramentas tecnológicas estão aí para ajudar no ensino e na qualidade de vida do professor é o primeiro passo.

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