Aprendizagem criativa: escolas inovadoras pelo mundo

18 de fevereiro de 2016

A criança que foi Alberto Hernando não se parece em nada com o que ele mesmo tem encontrado em todas as escolas que tem visto. Em seu primeiro dia de aula, então com dois anos, o colocaram em um pátio em que só se vislumbrava três muros grandes e uma sarjeta distante apenas três palmos dele. “Por quê isto? Como nos podem trazer aqui?”, lembra que foi isso que o pensou. Este outro aluno, o que agora encontra sempre, nem sequer repara no recreio. “Tem me chamado muita atenção. Em um colégio, em outro, em outro. Há sempre alunos que ficam na sala de aula e não não distinguem entre tempo livre e de sala de aula”, explica.

Hernando, de 34 anos, é um investigador que deu a volta ao mundo visitando colégios com projetos inovadores, centros onde professores, sozinhos, com as famílias ou com respaldo do governo têm conseguido ensinar e apaixonar a seus alunos. Durante quase um ano – com alguma pausa – este psicólogo espanhol passeou por escolas em Estados Unidos, Colômbia, Peru, Chile, Brasil, Gana, Indonésia, Bangladesh, Japão, Itália, Finlândia, Espanha… Tudo começou, relembra, “como surgem este tipo de projetos que unem o vital com o profissional”.

Enquanto estudava Psicologia pensou que o interessava mais a educação que montar uma clínica. Suas viagens também tinham um outro tom vital. Em lugar de um mapa monumentos ou montanhas, Hernando fez um mapa de colégios inovadores que gostaria de visitar. “A primeira semana que passei em nova York, ia a todas as manhãs às oito da manhã ver uma escola. E, no sábado, me perguntava: Mas, o que estou fazendo?”, recorda, em meio a gargalhadas.

aprendizagem criativa

Aproveitou congressos e férias para visitar por conta própria todos os colégios selecionados. Chamou-os de Escolas21 e eles estão compilados em um livro editado recentemente pela Fundación Telefónica, na Espanha: “Viaje a la escuela del siglo XXI. Así trabajan los colegios más innovadores del mundo” (em tradução livre: Viagem à escola do século XXI. Assim trabalham os colégios mais inovadores do mundo). O documento, que pode ser baixado de graça na internet e já conta com mais de 25 mil downloads, é um manual para transformar os centros e “ajudar a todos os alunos para que tenham êxito”, promete Hernando.

No seu livro, recolhe experiência de centros espanhóis como o centro de formação Padre Piquer de Madrid, que usa as aulas cooperativas onde colaboram professores e alunos. O concertado Montserrat de Barcelona, que aplica a teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner, entre outras inovações. É o que Hernando escolheria, se tivesse que escolher só um de todos os que tinha visto. Se a questão fosse escolher um só professor dentre mais de uma centena dos conhecidos, seria Morten Smith-Hansen, professor do bacharelado em Espanhol e História no centro Ørestad Gymnasium, de Copenhague. Smith-Hansen, de visita a Madri, para apresentar o livro, explica como trabalha. “Tenho uma aula com 28 crianças, desde filhos de imigrantes em greve, a alunos cujas famílias têm muitos recursos. E tudo o que há entre ambos. Não há sentido que eu esteja em meu quadro negro, divulgando uma verdade acadêmica que serve para três pessoas.” A solução que encontrou foi converter-se em uma espécie de professor particular de cada um de seus estudantes com a ajuda de novas tecnologias. Para ensinar gramática, por exemplo, cada aluno deve abrir um documento em nuvem (um texto compartilhado na rede e que pode ser acessado por diferentes usuários). Alí, eles contam o que sabem de gramática, o professor os responde e se abre um diálogo no qual se consegue que cada um melhora sobre sua própria base.

É fácil mudar uma escola? Hernando considera que sim. “Há muitos colégios com imensa vontade de fazer coisas que abrem as portas. Os professores se sentem atraídos por outros que têm êxito com seus alunos. Os que estão gerando mudança na Espanha são docentes que tenham interesse. Muita gente tem se dado conta que necessitamos outra escola. Esse é o primeiro passo. O segundo é saber como queremos”, explica. E conclui com um sorriso: “A educação está na moda”.
(Artigo originalmente publicado no jornal El Pais. Você pode conferir o conteúdo, em espanhol, no link)

Instituto High Tech High -California, Estados Unidos

Os alunos do Instituto High Tech High põe mãos à obra para aprender desde a concepção até o uso prático, passando pela execução do projeto. Essa foi uma das escolas visitadas por Alberto Hernando que registrou no site de seu projeto, o Escuelas21, algumas das aulas. Faz parte do som ambiente o bater do martelo e o rangido das rodas de bicicleta na apresentação de um projeto. Alguns constroem um braço mecânico, enquanto outros elaboram cálculos para o desenho de uma ponte. O vídeo está disponível (com legendas em inglês, aqui)

Escolas Lumiar – São Paulo, Brasil

A instituição privada conta com duas unidades. Uma no bairro de Bela Cintra, na maior cidade da América Latina, e outra uma unidade rural, em Santo Antônio do Pinhal. A estrutura é baseada em um tripé: democracia (as decisões, quanto possível, são tomadas coletivamente, por alunos e professores), currículo-mosaico (à medida que a criança vai aprendendo uma determinada atividade cognitiva ela vai fazendo um processo de aprendizado bastante pessoal) e novo papel do professor (o docente atua mais como um tutor que auxilia o desenvolvimento da criança e do adolescente que um educador que dita as regras que devem ser aplicadas a todos). Vídeo disponível neste link.

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River Side School – Ahmedabad, Índia

Orientado pelas diretrizes do Design Thinking, essa escola na Índia segue pesquisando a relação entre essa teoria e a educação. Enquanto isso, espalha o método por meio do projeto Design for Change, que já influenciou milhares de escolas que assumiram o compromisso de mudar a vida das pessoas que vivem ao redor e da comunidade a qual fazem parte. Veja o vídeo aqui.

Centro para a Inovação e o Aprendizado – Sidney, Austrália

Professores e alunos elaboram, juntos, seus próprios horários. Com ajuda da tecnologia, o aspecto engessado e estático das salas de aula foram surprimidos. Superaulas e espaços abertos conquistam o desenho, onde cada estudantes é responsável pelo seu próprio caminho no aprendizado. Veja o vídeo aqui.