Avaliação de professores ao redor do mundo

1 de dezembro de 2016

Tema que causa polêmica nos países onde é discutido, a avaliação de professores pode se tornar uma realidade também no Brasil. Tramita no Congresso Nacional desde 2007 um projeto de lei que pretende criar uma espécie de exame que vai servir para avaliar os docentes da educação básica.

Batizado de Exame Nacional de Avaliação do Magistério da Educação Básica (Enameb), o teste teria o objetivo de avaliar o desempenho dos professores da educação básica que dão aulas na rede pública e privada. Conforme o texto, de autoria do ex-senador Wilson Matos, será avaliado o “desempenho dos docentes, suas habilidades para ajustamento às exigências decorrentes da evolução do conhecimento e suas competências para compreender temas exteriores ao âmbito específico de sua profissão, ligados à realidade brasileira e mundial e a outras áreas do conhecimento”.

Caso aprovada, a avaliação funcionará em ciclos de cinco anos, em que serão avaliados, na ordem, docentes da educação infantil; anos iniciais do ensino fundamental; anos finais do ensino fundamental; ensino médio e, por fim, da educação especial e de jovens e adultos.  De acordo com a proposta, os professores poderiam se inscrever voluntária e gratuitamente no Exame, que serviria, por exemplo, como indicador para progressão de carreira no magistério. O texto também prevê que o Enameb poderá servir para levantar o perfil, as condições de trabalho e outras características dos professores brasileiros. O resultado dos testes poderá ser divulgado, desde que sem a identificação do docente.

A proposta já foi aprovada no Senado e encaminhada à Câmara, onde já foi aprovada na Comissão de Educação e aguarda parecer dos deputados na Comissão de Constituição e Justiça desde o ano passado.

avaliação de professores

Em alguns países latino-americanos como o México, mais recentemente, e o Chile (já há quase uma década), as mudanças foram recebidas com protestos. Em outros países, sobretudo os asiáticos, que têm se destacado em exames internacionais de aprendizado, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), a avaliação de professores é usada para atestar a qualidade de ensino. Separamos alguns exemplos para mostrar a variedade de avaliações adotadas em cada contexto.

Boa leitura!

China

O país tem adotado um sistema complexo que tem o objetivo de medir a qualidade dos docentes, que se diferencia dos demais porque prevê a adoção de critérios gerais (aplicados aos professores de todo o país), além de critérios locais, de acordo com as especificidades de cada região. As escolas também participam do processo, bem como toda a comunidade escolar, composta pelos outros professores, alunos e pais de alunos. Além disso, o resultado final leva em conta as notas obtidas pelos estudantes que tiveram aula com o professor.

Outro diferencial é que os exames têm critérios que avaliam aspectos pessoais e de certa forma subjetivos dos professores, como sua integridade profissional e seus valores.

Cingapura

Outro país asiático bem avaliado em exames internacionais, Cingapura avalia seus professores de forma obrigatória desde 2005. Na avaliação não são considerados somente os resultados acadêmicos, mas também aspectos como iniciativas pedagógicas do professor, sua relação com a comunidade escolar e as contribuições para com seus outros companheiros de professor. Além de responder a uma avaliação de desempenho o docente de Cingapura tem seu plano  de aula avaliado três vezes ao ano pelo diretor e sub-diretor da escola.

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Japão

O professor japonês é personagem ativo na elaboração de um plano no início de cada ano, que estabelece os objetivos perseguidos e metas a serem alcançadas ao longo do ano letivo. No final desse processo, ele tem seu desempenho avaliado por grupos de professores e inspetores, entre outras autoridades, com base nas diretrizes que ajudou a construir.

Finlândia

Modelo de educação para todo o mundo, sobretudo a partir da década de 1990, a Finlândia passou por uma verdadeira revolução educacional que incluiu o sistema de avaliação de professores. Ao contrário dos países asiáticos citados acima, neste país europeu o sistema de avaliação de desempenho tem menos critérios científicos e conta com uma relação de confiança entre professores e diretores.

Hoje, essas avaliações são feitas na própria escola, com base em conversas entre os profissionais. O sistema deu lugar a um modelo baseado na referência de inspeção.

Estados Unidos

Por se tratar de uma federação, cada um dos estados pode adotar um sistema de avaliação diferenciado. Recentemente, docentes de alguns estados realizar manifestações para mudar os métodos de avaliação que, de modo geral, classificam os professores com base em seu desempenho: eficaz, satisfatório ou ineficaz. Grosso modo duas situações incomodam os docentes norte-americanos: o esvaziamento do exame ao tratar todos de forma igual com o rótulo “satisfatório” ou que autoridades usassem os resultados como mecanismo de demissão.

Chile

O Chile foi um dos primeiros países latino-americanos a adotar um sistema de avaliação de desempenho de professores, ainda no ano de 2006. Assim como aconteceu em outros locais, como o México, houve protestos, sobretudo de sindicatos da categoria, que participaram ativamente da negociação dos termos que passaram a compor a Lei da Carreira Docente.

O processo pelo qual passam tanto os docentes da rede pública como da rede privada inclui práticas de revisão do portfólio do professor, gravações de aulas, entrevistas com examinadores e até mesmo uma autoavaliação. Esses critérios são analisados e, ao final, o docente recebe uma nota que norteará, por exemplo, a incidência de um aumento salarial ou, em alguns casos, até mesmo na realização de um plano de reaprendizado, em que o professor passa por uma espécie de reciclagem para desenvolver suas habilidades. Em último caso, resultados negativos podem resultar na demissão de um docente.

Qual sua opinião sobre a avaliação de professores? Que contribuição você daria para o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional sobre a adoção de um sistema nacional para avaliar os docentes brasileiros?

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