Você sabe reconhecer um bom professor?

20 de dezembro de 2016
bom professor

Todos nós temos lembrança de alguma professora ou professor que mudou nossas vidas ou a forma como enxergamos o mundo. Aquele que nos apresentou boas leituras; que aguçou nosso senso de curiosidade sobre um determinado tema que se revelou importante ao longo de um período; que soube ouvir nossos desabafos e dificuldades e insistiu para que pudéssemos dar um passo adiante.

Seja qual for o seu caso, há algumas características em comum nesses docentes que marcam seus alunos. No texto de hoje vamos levantar algumas especificidades que costumam guiar os bons professores durante toda a sua carreira.

Primeiro passo: é preciso vencer os obstáculos

Hollywood costuma representar professores nos seus filmes, basicamente, de duas maneiras: de um lado são os chamados “carrascos”, implacáveis com os alunos, rigorosos e com poucas doses de bom senso. Nesse tipo de enredo, os alunos precisam passar por todo tipo de provação frente ao professor e encarar um ambiente escolar hostil para seguir adiante.
A outra representação é a do professor novato que chega em uma escola desorganizada e pouca amistosa com vontade de enfrentar as dificuldades e mudar a realidade dos alunos que ali estudam. Essa imagem do professor inabalável é um clichê antigo mas, de certa forma, os docentes que persistem na carreira encarnam um pouco do espírito do protagonista do cinema.
Um levantamento na rede pública de São Paulo constatou que, entre 2008 e 2012, a cada dia nada menos que 8 professores pediam exoneração de seus cargos – o equivalente a 3 mil por ano. A justificativa não é nenhuma novidade para quem convive no meio da educação pública: baixos salários, pouca perspectiva de crescimento na carreira (e para a profissão como um todo) e más condições de trabalho. Portanto, por mais clichê que pareça, o primeiro desafio para reconhecer um bom professor é reconhecer também as dificuldades enfrentadas por ele para se firmar no ensino.

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Aliando o teórico e o pedagógico

Diretora do programa de formação de professores da Escola de Educação da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a pesquisadora Katherine Merseth costuma dizer que um bom professor deve alinhar dois aspectos fundamentais: o amplo conhecimento da área que leciona e, ainda, conhecimentos pedagógicos e métodos de ensino capazes de fazer com que esse vasto conhecimento seja transmitido de uma forma eficiente a seus alunos.

Para completar, a professora disse que passar por estágios probatórios e iniciais supervisionados e por mentorias com colegas mais experientes pode impactar positivamente na formação de um bom professor.
“A formação de um bom docente passa por avaliação de experiências de sucesso nacionais e internacionais, trabalho de apoio entre os pares com programas de coaching e, acima de tudo, o recrutamento de jovens com melhor desempenho acadêmico para a carreira docente”, defendeu Katherine durante uma palestra em São Paulo.

Aprendizado adequado e contínuo

Sim, um bom professor nunca deixa de estudar. Já é praticamente um consenso que o salto de qualidade na educação passa, necessariamente pelo investimento no professor. E a maneira mais eficaz de garantir bons professores estimulados dentro de sala de aula é investir nele.

A formação continuada, conforme alguns teóricos da área da pedagogia, não se esgota com a realização de um determinado curso de atualização para o professor. Ao contrário, deve ser encarada por toda a rede de ensino como um processo em desenvolvimento. Um dos obstáculos impostos a essa dinâmica é a falta de políticas públicas que tratem a formação continuada com essa necessidade de continuidade.  Ao contrário do Brasil, diversos países adotam estas políticas com sucesso.

Além disso há outro dificultador nesse processo. O Brasil é um país em que 40% dos professores da rede pública não têm formação adequada. Isso significa que de cada 10 docentes, quatro dão aulas sobre disciplinas às quais não têm formação básica. Diante de um cenário desse, falar na continuidade da formação do docente parece ainda mais distante.

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Falando a língua do aluno

Embora as diferenças geracionais entre professores e alunos sejam óbvias, é preciso entender “de onde” vem o estudante e adaptar o conteúdo a uma linguagem que ele possam apreender todo o sentido daquilo que está sendo ensinado. Já há algumas décadas, o educador Paulo Freire se notabilizou, entre outros motivos, por levar a realidade do campo para dentro das escolas rurais. Dessa forma, os alunos tinham contato com textos sobre temas que eles viviam e conviviam em seu cotidiano, o que facilitava o aprendizado.

Hoje, é preciso reconhecer que as gerações que estão sentadas nas carteiras escolares nasceram e estão sendo moldadas na era da tecnologia e da informação, em que equipamentos e recursos tecnológicos fazem parte de seu dia-a-dia. Com isso, é preciso que o professor também traga esse tema para o cotidiano da sala de aula e isso passa, necessariamente, pela introdução da tecnologia na sala de aula.
Hoje há uma série de recursos inovadores que podem facilitar o ensino. Dependendo da necessidade da sua comunidade escolar, uma série de videoaulas pode ajudar os alunos a fixar conhecimentos de uma determinada matéria; cursos rápidos e gratuitos podem servir para aprofundar em um assunto; ferramentas de comunicação podem tornar mais fácil a troca de informações entre pais, alunos e professores; e até mesmo facilitar o trabalho de professores com tarefas como a correção de provas.

É inegável que a tecnologia é uma realidade em vários aspectos da sociedade moderna e deve ser encarada assim também no caso da educação.

E para você, quais são os atributos que definem um bom professor? Qual o principal desafio para os professores consolidarem essa imagem que não só alunos, mas toda a sociedade espera dele?