Como elaborar uma prova para alunos do século 21?

22 de agosto de 2016
como elaborar provas

Ao longo das últimas décadas, as formas de avaliar os alunos sofreram mudanças para que fossem adequadas às alterações feitas nos currículos escolares e às metamorfoses pelas quais passam alunos, professores e o próprio processo de ensino com o passar do tempo. Entre as mudanças, surgiu uma nova dúvida: como fazer provas para esses novos alunos?

Vamos fazer um exercício: pergunte a alguém que frequentou as carteiras de uma escola na década de 1980 qual era o principal método de avaliação usado pelos professores em sala de aula. Provavelmente essa pessoa dirá que seu professor optava pela decoreba na hora de avaliar os alunos.

A decoreba era um método de avaliação em que os alunos deveriam estar focados em decorar detalhes de um conteúdo para tirarem uma boa nota na prova. Dessa forma, ficava totalmente em segundo plano outras características importantes como a contextualização e a relação de um conteúdo ensinado com outro. Até mesmo a compreensão do que estava sendo decorado era deixado de lado.

como elaborar uma prova

Assim, as provas de geografia se tornavam temidas pelos estudantes. Uma das exigências era que eles soubessem, por exemplo, todos os afluentes das margens direita e esquerda do rio Amazonas. No entanto, os alunos eram dispensados de compreender as peculiaridades sociais, demográficas e étnicas presentes na bacia do Amazonas – o que hoje faria muito mais sentido.

Hoje a decoreba se tornou um método de avaliação totalmente ultrapassado. Isso porque, na verdade, com o desenvolvimento dos diferentes métodos de ensino, os gestores públicos e de ensino, coordenadores pedagógicos e educadores chegaram à conclusão de que ela não provava nada, apenas testava a capacidade de memorização dos estudantes.

O exemplo acima é para mostrar como que um método até então inquestionável (como a decoreba nos anos 80) pode ser revisada mais tarde e se mostrar completamente anacrônica se aplicada em uma época em que ela não faz qualquer sentido. Outras mudanças, como esta, aconteceram ao longo das últimas décadas. Nos dias de hoje a comunidade escolar discute outros métodos de avaliação que possam ser mais eficientes para serem aplicados aos alunos do século XXI, que possuem um perfil totalmente diferente dos estudantes que, como eu e você, frequentaram as escolas nas décadas passadas.

No texto de hoje vamos mostrar algumas das características comuns desses estudantes e algumas diretrizes para que os novos métodos de avaliação sejam capazes de medir a capacidade deles com relação ao aprendizado, compreensão do conteúdo e espírito crítico. Boa leitura!

Quem é o aluno do século 21?

O método de avaliar um aluno depende do contexto em que ele está inserido e de qual objetivo você tem em mente com aquele teste. No caso do estudante do século XXI há algumas características próprias dessa geração que contribuem para romper com o modelo tradicional de avaliação que estamos acostumados. Entender as peculiaridades dessa geração é abrir novas possibilidades e mudar as regras desse jogo que, se não adaptadas, ficam facilmente ultrapassadas.

Se há uma palavra que conecta os alunos do século XXI é a tecnologia. Ao contrário de nós, essas crianças e adolescentes praticamente cresceram interagindo com novas interfaces, equipamentos, aparelhos e jogos. Portanto, fazem parte do dicionário dessa geração palavras como interatividade, compartilhamento, digital, dentre outras. É comum ficarmos impressionados quando uma criança se depara pela primeira vez com algum aparelho eletrônico moderno e em questão de minutos consegue interagir com a tela, as teclas e os programas. Isso ocorre porque essa “linguagem digital” é mais facilmente compreendida por eles que por nós, que temos uma dificuldade maior de adaptação ao nos depararmos com alguma novidade tecnológica.

A tecnologia é, portanto, um elemento presente não só nas horas livres, mas também no processo de aprendizado. Afinal, para o aluno, o professor não é mais a única fonte de informação disponível. As ferramentas digitais, redes sociais, textos, áudios, vídeos, imagens e outras interfaces compartilháveis e disponíveis online amplificaram as vozes de diversos autores relacionados a um conteúdo. Essa democratização do acesso à informação também nos leva a discutir o papel do docente para o aluno do século XXI.

Professor-tutor, uma nova função

Como elaborar uma prova

Ao contrário do que algumas análises catastróficas previram no passado, o ingresso da tecnologia no ambiente de ensino não trouxe o caos para o aprendizado. Algumas previsões mais exageradas davam conta de que os professores seriam substituídos por robôs o que, obviamente, não aconteceu. No entanto, os docentes não detém mais o monopólio do conhecimento dentro da sala de aula e precisam se adaptar a um novo papel que o ensino vai exigir.

O professor precisa ser um intermediário entre o aluno e as demais interfaces de conhecimento. Uma espécie de tutor que vai orientá-lo nesse processo de descobertas de modo a filtrar as informações corretas das incorretas e fomentar o espírito crítico com relação à leitura e o conhecimento adquirido em cada matéria.

Adaptando sua forma de ensinar e avaliar

Assim como métodos de ensino e avaliação se tornam ultrapassados – como o caso da decoreba, como mostramos anteriormente – é papel do professor, do coordenador pedagógico e do gestor educacional  repensar se a cultura de ensino evoluiu com o passar do tempo, se adaptando ao novo perfil dos alunos e da sociedade, como um todo.

Vamos usar outro exemplo: no século passado, a figura do professor era vista (pelo aluno) de uma maneira bem distinta de como é hoje. Como o docente, naquela época, era praticamente a única fonte de informação e transmissão de conhecimento a que o estudante tinha acesso, possuía uma aura, de certa forma, até mística, o que causava um distanciamento grande entre as duas figuras. O professor, naquela época, dificilmente era questionado pelo aluno, que tomava o conteúdo passado em sala de aula como uma verdade absoluta. Dessa forma, até mesmo as aulas mostravam essa distância. O professor, lá na frente, em trajes formais, gastava todo o tempo falando praticamente sozinho, sob olhares atentos dos alunos, ou anotando a matéria a giz no quadro negro em uma sala em silêncio.

Uma aula dessas, hoje em dia, é inimaginável. A começar da dificuldade de se manter o ambiente de sala de aula em silêncio completo por 50 minutos enquanto somente o docente fala sobre a matéria. Além do mais, no século XXI, as figuras de professor e aluno estão mais próximas, o que colabora significativamente para uma aula colaborativa, interativa, em que ambas as figuras participam, aprendem e ensinam. Não há verdade absoluta dentro de sala de aula, mas uma construção que respeita muito mais a compreensão do aluno e o que ele tem a dizer sobre o fato.

Dessa maneira, há algumas maneiras para se explorar ao máximo o que os alunos do século XXI podem acrescentar à sua aula.

6 dicas para desenvolver com os alunos do século XXI

  • Explore ao máximo o número de representações para atingir seu objetivo – que é ensinar. Dependendo do conteúdo, vale a pena usar diagramas, infográficos, simulações ou representações númericas e matemáticas;
  • Encorage o espírito crítico dentro da sala e aula. Sempre que houver espaço, fomente a discussão entre os próprios alunos, permita que eles expressem seus pontos de vista e escutem a opinião dos demais colegas. Dessa forma, você garante maior liberdade de pensamento e espírito crítico;
  • Incentive os estudantes a resolverem desafios. Ao longo do desenvolvimento alimente-os com feedback. É interesse para que os alunos possam pensar no processo de aprendizagem;
  • Contextualize o conteúdo citando casos que justifiquem o que você quer dizer, exemplificando e trazendo o tema para a realidade do aluno. Vale usar modelos e passo-a-passo para facilitar o processo de ensino e, consequentemente, de aprendizado;
  • Mantenha o foco em motivar os alunos a cada aula e preste mais atenção em sua evolução ao longo do semestre que nas notas de suas provas e exercícios;

Introduzindo na sua escola o conceito de aprendizagem invertida

Uma das tendências da educação no século XXI, a aprendizagem invertida tem ganhado espaço em diversos lugares do mundo, incluindo universidades renomadas, como Harvard, nos Estados Unidos. Esse método de ensino mescla conteúdos ensinados dentro de sala de aula com recursos tecnológicos que podem ser acionados pelos alunos, de forma autônoma.  Dessa maneira, o ato do aprendizado pode ser dividido em três fases: antes, durante e depois da sala de aula.

Antes: usando a tecnologia como base de conhecimento

E se você chegasse para dar uma aula e toda a turma já tivesse ouvido falar no assunto que seria tratado naquele encontro? Com certeza o resultado prático seria outro, com alunos mais envolvidos com a matéria e até mesmo o aprendizado “renderia” mais. Certo? De acordo com este método de ensino, antes mesmo de chegar à sala de aula, o aluno já tem contato com as bases do conteúdo que o professor ensinará. E isso só é possível com o auxílio da tecnologia.

Com o cronograma de aulas compartilhado pelo professor, os alunos lançam mão da habilidade com recursos tecnológicos para se preparar para o conteúdo que será visto (e testado) dentro da sala de aula. Nesta etapa vale tudo: ler textos e artigos sobre o tema, assistir a filmes e vídeos, consultar mapas, infográficos, podcasts, listas e etc. Quanto mais contato com o tema, melhor preparado você chegará para a aula no dia seguinte.

Durante: aprofundando o tema e incentivando o debate

Em sala de aula, você já chega em vantagem: seus alunos têm alguma noção do conteúdo que será ensinado. Isso é importante para que você possa utilizar o tempo que seria gasto para introduzir a matéria com outras atividades, como avaliações. É importante preparar bem essa aula com conteúdos complementares e estudos de caso para aprofundar o que vai ser ensinado. É hora, também, de tirar as dúvidas que ficaram do que foi ensinado e estimular a participação do aluno – vale fomentar debates entre os colegas e permitir que cada um dê sua opinião sobre o que está sendo discutido.

Como elaborar uma prova

Depois: fixando a matéria

No pós-aula o aluno volta a ser protagonista do seu próprio processo de aprendizado. É hora de fixar o que foi aprendido em sala de aula e também fora dela, com os recursos tecnológicos. Neste momento, o estudante testa seus conhecimentos em trabalhos em grupo e também no ambiente virtual de aprendizagem, com troca de experiências com outros estudantes. O processo todo é permeado por provas e exercícios que vão avaliar se o estudante desenvolveu as competências necessárias.

4 estratégias de avaliação para aprendizagem invertida

Começar com bons objetivos de aprendizagem

Antes de fazer qualquer tipo de avaliação é necessário estabelecer boas metas de aprendizagem. Devemos começar pela determinação dos resultados que queremos que os estudantes alcancem e, depois, desenhar formas específicas para atingir as metas estabelecidas. Isso dá uma boa orientação para as atividades e vai ajudar os estudantes para que saibam o que eles devem aprender ao longo do curso.

Empregar um enfoque de frequência e pequenos passos

A melhor maneira de se avaliar os estudantes é promover avaliações que sejam curtas, frequentes e informativas. Um bom exemplo é o sistema de perguntas e respostas em sala de aula, capazes de testar o conhecimento dos alunos no momento de sua aprendizagem. Outras atividades, como escrever textos curtos. Outro detalhe importante é a observação. Nem sempre somente os resultados de exames dizem sobre o processo de aprendizado do aluno. Muitas vezes seu comportamento, engajamento e participação em sala de aula dizem muito sobre o que ele tem aprendido.

Utilizar avaliações pré-formativas

Esse tipo de avaliação é realizado enquanto os estudantes estão aprendendo um conteúdo novo de forma independente, antes de qualquer interação entre o aluno e seus colegas. A avaliação pré-formativa pode ser uma ótima maneira de medir os conhecimentos dos alunos nessa fase anterior às discussões dentro de sala de aula.

Usar e compartilhar os dados compilados com as avaliações

O propósito da avaliação é recolher informações que melhorem o aprendizado do estudante. Dessa, quando você tiver, em mãos, os resultados de um exercício de leitura, testes rápidos e de textos curtos, é insdispensável se perguntar: “Como posso ajudar o aluno a partir dessas informações?”. A partir daí é possível verificar quem precisa de ajuda e de um contato mais direto e reduzir as chances de um mau aprendizado.

Como a tecnologia pode transformar a correção de provas?

Além de estar presente nas atividades diárias e na forma como os alunos se relacionam, hoje, a tecnologia também traz a vantagem de facilitar processos que, em outros tempos, demandavam uma atenção exclusiva. No caso específico da educação, novas ferramentas e equipamentos tecnológicos trouxeram economia de tempo (e dinheiro) com a automatização de processos burocráticos.

Se formos pensar no dia a dia de um gestor escolar, podemos listar uma infinidade de atividades cotidianas que ocupam boa parte do tempo e que, se formos analisar, elas bem que poderiam ser resolvidas com um toque. É o caso da montagem de um quadro de horários, por exemplo, que envolve dezenas de professores e combinações aritméticas sobre suas disponibilidades de horários. Dependendo da complexidade da escola, somente essa tarefa pode demorar até três meses para chegar a uma solução final. Além disso, o gestor tem que manter contato com pais de alunos, gerenciar documentos de estudantes e professores, como histórico escolar, provas e boletins, gerir o quadro de funcionários, cuidar da infraestrutura. Tarefas que podem ser reduzidas e facilitadas com o uso da tecnologia correta.

No caso dos professores, uma das atividades mais comuns da profissão é a correção de provas. Quase todos os dias, sem tempo de corrigir o material nos intervalos entre uma aula e outra, o docente chega em casa uma pilha de papeis com prazo para entregar. Quem dá aula para turmas do Ensino Médio sabe a dificuldade: o grande número de turmas e de exercícios e provas feitos ao longo do ano geram um desgaste grande para quem, além de trabalhar ensinando presencialmente, também tem que preparar as aulas e se manter sempre atualizado.

No caso da correção de provas a tecnologia também dá uma mão. As horas de esforço gastas para corrigir as questões fechadas de uma prova de múltipla escolha podem se transformar em segundos. O Prova Fácil é uma ferramenta criada pela Starline Tecnologia, uma empresa de tecnologia voltada para a área da educação, que permite a automatização desse processo apenas com a presença de um smartphone. O aparelho é capaz de comparar a folha de respostas com as marcações feitas pelo aluno com o gabarito oficial, já preenchido pelo professor com as respostas corretas.

Além disso, mais que uma ferramenta de correção de provas, o Prova Fácil simplifica outros pontos da vida do professor e permite um melhor acompanhamento do aprendizado dos alunos.

Como elaborar uma prova

Como a tecnologia pode ajudar no acompanhamento dos alunos?

Um bom professor preza, antes de mais nada, pelo aprendizado de seus alunos. Mais do que saber se o estudante está indo bem nas provas, o objetivo da educação é que o jovem possa aprender sobre conteúdos relevantes e que o faça evoluir. No entanto, sem o uso da tecnologia é complexo acompanhar o desenvolvimento de cada um das centenas de alunos de uma série ou escola. Mais difícil ainda é pontuar em que matéria ou determinado conteúdo ensinado há um problema de compreensão que pode ser amenizado.

Uma outra funcionalidade do Prova Fácil ajuda nesse diagnóstico. É que, após corrigir as provas, o programa gera automaticamente a nota obtida pelo aluno. Assim, é possível saber, quase em tempo real, quais as questões certas e erradas de acordo com o gabarito do professor.

Ao longo do tempo, conforme você vai utilizando a ferramenta para corrigir as provas de seus aluno, o Prova Fácil gera relatórios completos sobre o desempenho de cada estudante. Desse modo fica muito mais fácil de acompanhar o desenvolvimento escolar de um estudante. Por exemplo, se você perceber que as notas de um aluno pioraram durante avaliações sobre um conteúdo ensinado em uma época do ano, algo de errado pode estar acontecendo com ele.

Às vezes você não identificou uma dificuldade com aquele assunto e, a partir do relatório pode dar uma atenção especial àquele jovem. Ou então, se o problema estiver acontecendo em diversas disciplinas, o estudante pode estar vivendo algum outro tipo de problema dentro ou fora do ambiente escolar e que seja necessária algum tipo de intervenção por parte tanto do professor, quanto do coordenador pedagógico ou do diretor da escola.

Por que o acompanhamento de alunos tem funcionado ao redor do mundo?

Algumas experiências famosas mundo afora tem como embrião o acompanhamento sistemático de alunos por meio do controle feito em bases de dados do sistema de ensino. Na Austrália, por exemplo, o site MySchool armazena informações sobre várias escolas de uma mesma região e permite que os pais de alunos as acessem. Com isso, toda a comunidade escolar pode comparar o desempenho de uma escola com outra e ficar a par dos problemas e soluções que fazem parte de cada uma delas.

Na província de Ontario, no Canadá, foi o monitoramento de dados das escolas locais que permitiu uma verdadeira mudança no sistema de ensino como um todo. Em 2004, um terço dos alunos tinham desempenho fraco em 760 escolas diferente. Dez anos depois eram menos de 80 as instituições de ensino em que metade dos alunos apresentavam esses problemas.

Quer saber mais como é que a tecnologia tem mudado o papel do professor no século XXI? Baixe agora nosso ebook e fique por dentro das novidades que já estão sendo implementadas na educação e que são tendência para os próximos anos.

como elaborar uma prova