4 desafios para uma educação de qualidade no Brasil

29 de agosto de 2016

Nos últimos cinco anos, o investimento do governo federal em educação aumentou em quase 50%. Em 2010, o orçamento federal para o Ministério da Educação (MEC) foi de R$ 92,7 bilhões. A cifra saltou para R$ 137,2 bilhões em 2015 e, neste ano, deve fechar um pouco abaixo – a previsão é de R$ 130,4 bilhões.

Embora o aumento do investimento em educação no Brasil ao longo dos últimos anos seja um fato, é uma realidade também a de que o país destina uma fatia maior de seu orçamento em educação que outros países – inclusive os desenvolvidos. Conforme relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) o Brasil investe 5,6% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em educação.

O número supera o gasto proporcional de países como Austrália, Suíça, Portugal, Espanha, Polônia, Japão, Alemanha e Itália. No entanto é preciso pensar se os recursos são bem empregados. O relatório aponta ainda que a média investida por aluno (U$S 2.900) é muito menor que o da média das nações (U$S 8.900).

Ser mais eficiente no emprego dos recursos destinados à educação no Brasil é um desafio para os próximos anos. Listamos outros quatro problemas que devem ser enfrentados pelos governantes, sociedade, professores e alunos para que tenhamos uma educação de qualidade.

Universalizar o acesso ao ensino básico

Na passagem do ano 1999 para o 2000, a Organização das Nações Unidas (ONU) traçou uma série de metas para que os países pudessem cumprir até 2015, que ficaram conhecidas como Objetivos do Milênio. Para a educação, o desafio brasileiro era incluir, até o ano passado, todas as crianças no ensino básico de qualidade.

Ainda não é possível garantir se a universalização da educação para crianças e adolescentes de até 17 anos foi alcançada. Dados de 2008 mostram que 94,9% do total de jovens nessa faixa etária estavam dentro de sala de aula.   Em 2014, o governo federal mapeou que há 3 milhões de crianças e adolescentes (entre 4 e 17 anos) fora das escolas.

O desafio maior está nas duas pontas dessa faixa etária. Entre as crianças com 4 anos, uma em cada quatro não frequenta o colégio. Isso representa 690 mil crianças, conforme o MEC. No caso dos jovens de 17 anos, são 932 mil fora das aulas.

Garantir formação adequada aos professores

Esse é um obstáculo grande a ser ultrapassado. No início do segundo trimestre, o MEC lançou um programa que vai oferecer 105 mil vagas em universidades federais para formação adequada de professores que lecionam nas redes estadual e municipal mas que não atuam em sua área de formação.

Conforme a pasta, dos 709.546 professores efetivos do ensino fundamental e médio, 374.829 (52% do total) dão aulas de disciplinas mesmo sem serem formados naquela área e precisam complementar a formação superior.

Investir nos professores

Responsáveis pela formação acadêmica e humana de alunos das mais diversas idades, os professores brasileiros recebem um terço do salário dos demais docentes de países da OCDE. O levantamento feito pela organização leva em conta a média de salário anual de docentes da rede pública de educação do Brasil. O Brasil ocupa a posição de número 36 entre 37 países analisados.

Conforme o estudo, o docente brasileiro, no ano de 2014, ganhava por ano o equivalente a U$S 10.375 – sendo que a média para os países que compõem a entidade era de U$S 29.411. Pior colocado que o Brasil no ranking, somente a Indonésia, país asiático onde o professor recebe uma remuneração anual equivalente a U$S 1.560.

Investir melhor na educação do Brasil e melhorar a avaliação  

A disparidade de investimento per capita fica mais fácil de ser compreendido quando reparamos nos resultados de alunos brasileiros avaliados em testes internacionais. Um dos exames de maior prestígio é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que testa conhecimentos de alunos de 15 anos sobre leitura, matemática e ciências.

Em 2012, a média da nota dos estudantes brasileiros foi de 402 pontos – o que colocou o Brasil na posição de número 59 em um ranking que analisou a educação em 65 países. No texto de hoje vimos que melhorar o desempenho da educação no Brasil passa por uma melhoria na eficiência dos investimentos, além de remunerar melhor e formar adequadamente os professores.

Tem mais alguma sugestão? Conte para a gente nos comentários. Ah! E aproveite para baixar de forma gratuito o nosso ebook que conta como as tecnologias têm mudado o papel do professor no século XXI.