Como está a educação no Brasil nos dias atuais?

7 de dezembro de 2016
educação no Brasil dos dias atuais

Pode parecer completamente contraditório, mas o Brasil é um dos países que mais investe em educação em todo mundo e, paralelamente, também é o que pior colhe os frutos desse investimento, com resultados ruins em diversos exames internacionais. Um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que o investimento público em educação no Brasil saltou de 13,3% para 17,2% entre 2005 e 2012. Além disso, 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vai direto para a educação básica, enquanto os demais países que fazem parte da OCDE investem, em média, 3,7% do total de suas riquezas.

No entanto, os alunos brasileiros vem colecionando resultados ruins em exames internacionais, o que, de certa forma, atesta que o alto volume de investimentos não tem surtido os efeitos esperados. Um ranking elaborado pela própria OCDE divulgado no ano passado e que levou em consideração o desempenho de estudantes de 76 países em exames como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), o Terce e o Timss. O Brasil ficou em 60º lugar. Na última edição do Pisa, por exemplo, o Brasil ficou na posição 66 entre 70 países.

Por que isso ocorre? Destacamos três motivos principais. Confira!

Investimento errado para a educação no Brasil

Embora tenha uma taxa altíssima de investimento, esse dinheiro não é empregado da melhor forma. Um dado que mede a qualidade dos recursos gastos com educação básica no país é o investimento por aluno. Segundo a OCDE, no Brasil, o poder público investe cerca de US$ 3 mil por ano em cada estudante – o que dá, com o câmbio de hoje, um valor próximo a R$ 790 mensais. Ou seja, menos de um salário mínimo. Os demais países que, comparativamente investem menos na educação básica que o Brasil, gastam em média US$ 8,2 mil nos anos iniciais e US$ 9,6 mil nos anos finais – ou seja, quase três vezes mais que o nosso país.

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Desvalorização do professor

Outra pesquisa da OCDE aponta para um cenário que o docente brasileiro já conhece muito bem: ele é o profissional que mais trabalha e menos recebe entre os países que fazem parte da organização internacional. Apesar de ter um piso salarial estabelecido por lei (e que hoje está em R$ 2,1 mil, boa parte dos governos estaduais ainda não respeitam a legislação). Com isso, o salário médio de um professor no Brasil é US$ 12,3 mil por ano, menos da metade da média dos demais países da OCDE, que é de US$ 28,7 mil.

Como se não bastasse, a carga horária de trabalho do professor brasileiro é maior. Somente em sala de aula, o docente trabalha cerca de 25 horas semanais, em média. Nos outros países são  seis horas a menos.

Alto abandono

Esse é outro fator que contribui para o insucesso do investimento público em educação no Brasil. Dentre os países analisados pelo levantamento da OCDE, o Brasil é o que tem o maior percentual de jovens entre 20 e 24 anos que não estuda e nem trabalha. Nessa faixa etária, são 76% dos que não frequentam uma faculdade, por exemplo, e mais da metade não estão empregados. Uma das justificativas para esse dado alarmante, conforme o Ministério da Educação é que o ensino médio é considerado inútil por grande parte dos estudantes, que não encontram estímulo para seguir com os estudos.

Apesar desse cenário ruim, acreditamos que é possível mudar o panorama da educação no Brasil com ideias criativas e inovadoras. Uma delas é utilizar os dados para mudar a realidade de cada escola, município ou Estado brasileiro.

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