Ensino Online x Ensino Remoto: estamos prontos?

3 de agosto de 2020

Será que o ensino ministrado em tempos de pandemia está sendo realmente eficaz ou poderia melhorar?

Ensino online e ensino remoto. Aí estão dois termos que qualquer incauto poderia apontar como sinônimos, ou até mesmo alguém que entenda bem sobre o ensino pela internet, mas eles são mais diferentes do que os nomes podem fazer parecer.

É evidente que estamos vivendo uma realidade completamente nova na educação em todo o mundo. As aulas pela internet, que antes eram uma opção, passaram a se tornar uma necessidade para que o ensino fosse um pouco menos prejudicado pela pandemia e por todas as suas consequências.

Isso fica claro quando analisamos a Portaria nº 544, de 16 de junho de 2020, que trata da substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do novo Coronavírus.

Este período de autorização, de acordo com o § 1º da referida Portaria, se estende até 31 de dezembro de 2020, ou seja, há chances reais de que a situação se prolongue pelo menos até o final deste ano.

A pandemia forçou uma transformação digital já tão importante na educação (e em todo o mundo, na verdade) que gera certo entusiasmo o mercado de educação e, em especial, nas startups de educação (edtechs).

No entanto, a animação não é a mesma quando ouvimos relatos dos pais e professores envolvidos nesse novo mundo.

Ainda há muito desencontro nas informações, despreparo para o uso das tecnologias (o que é perfeitamente compreensível) e desinteresse por parte dos alunos em se engajar em assistir aulas de casa. 

É por isso que entender melhor a diferença entre os dois termos de que comentamos e o que eles têm a dizer para a educação torna-se fundamental para melhorar a experiência da comunidade escolar para o próximo semestre de 2020 que, aparentemente e infelizmente, ainda será atípico. 

Qual é a diferença entre ensino online e ensino remoto?

Em um primeiro momento, as definições podem parecer as mesmas, mas especialistas defendem que há diferenças importantes entre eles, ainda que o meio de se transmitir o conhecimento seja o mesmo, que é a internet e suas plataformas digitais. 

Uma das bases que compõem essa diferença é o design instrucional, campo de estudo que trata do processo de aprendizagem em qualquer contexto, desde a educação presencial tradicional até a tendência de ensino online, disponibilizado através de uma plataforma EAD para tal, além de treinamentos corporativos.

É este estudo que permite entender quais são os melhores formatos, materiais e cursos para que haja engajamento e aprendizado real em cada contexto. Se há mudança no contexto, é necessário que haja mudança no formato das aulas.

O ensino remoto, por sua vez, é algo como uma “adaptação” do que seria aplicado presencialmente, ou seja, a aplicação digital de algo que foi pensado para a sala de aula, em que alunos e professores dividem o mesmo espaço físico.

Neste, em geral, a interação entre aluno e professor é distante e, muitas vezes, assíncrona. Também por isso, é muitas vezes considerado uma estratégia de mitigação rápida, porém, de baixa fidelidade. 

O ensino online ou EAD, por sua vez, é direcionado para a interação online, ou seja, trata-se de uma experiência completamente desenvolvida e voltada para aplicação pela internet, que passa por um planejamento minucioso para os meios digitais. Esta é, portanto, uma estratégia de maior durabilidade.

Geisa Ferreira, coordenadora do curso de Pedagogia da UNINASSAU Maceió, explicou no blog da instituição que ensino remoto e EAD são conceitos diferentes e que devem ser compreendidos por todos. Ela falou sobre o ensino superior, mas isso também se aplica a outros estágios da educação.

Com essas definições, podemos ver como a diferença entre a educação online e a educação remota são realmente significativas, já que podem mudar completamente a maneira que professores e alunos se relacionam com o ensino e o aprendizado.

Para o autor do livro College Disrupted, Ryan Craig, as aulas assíncronas tão presentes nos cursos on-line pecam ao tentar imitar a santa trindade da sala de aula: a lição, a discussão e a tarefa, que já conhecemos há décadas.

Replicar fielmente esses elementos – a palestra em forma escrita ou em vídeo, a discussão por meio de um quadro de discussão e uma tarefa por escrito – tem sido, segundo ele, altamente limitante para o aprendizado on-line.

Isso ocorre especialmente porque alguns desses elementos se traduzem mal através de computadores onde as aulas hoje acontecem. Não por acaso, as taxas de conclusão dos cursos online assíncronos são muito baixas.

É preciso entender o tempo, o ritmo e a necessidade de um aluno que precisa aprender através do meio digital.

Essa diferença, inclusive, é corroborada até mesmo na Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a famosa Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ou simplesmente LDB.

Em seu  § 4º, por exemplo, ela diz que “O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.”

A mesma lei também comenta sobre o ensino a distância em outras fases da educação, mas o termo utilizado é sempre “a distância”, não “remoto”, diferença que é bastante significativa, como comentamos por aqui.

Confira também: Como a China manteve o ensino online frente à crise do Coronavírus?

Na prática, o que muda entre educação online e educação remota?

Que a educação online é planejada para este meio, enquanto a educação remota é adaptada, o que resulta em um prejuízo bem grande no ensino por parte dos professores e na aprendizagem por parte dos alunos.

Para entender melhor como isso funciona, podemos pensar em um exemplo que não parece ter tanto a ver com o assunto, mas ajuda a abrir nossas mentes para compreender como a diferença é significativa: comparar um time de futebol de campo com um de futebol de salão.

O tamanho de uma quadra de futsal para jogos internacionais é de, no mínimo, 20 metros de largura e 38 metros de comprimento, com máximo de 25 m x 42 m. No futebol de campo, também para jogos internacionais, a largura deve variar de 64 m a 75 m e o comprimento de 100 m a 110 m.

O tamanho dos times também muda: no futsal, são 5 jogadores para cada lado, sendo 1 goleiro e 4 jogadores na linha, enquanto no futebol de campo são 11 jogadores, sendo 1 goleiro e 10 jogadores na linha.

O tempo é outra diferença notável: são dois tempos de 20 minutos para o futebol de salão, sendo que o cronômetro não é corrido, ou seja, para quando o jogo não está em andamento. No futebol de campo, são dois tempos de 45 minutos cada, com o relógio corrido e os acréscimos ao final de cada tempo para compensar as paradas.

Também há outras diferenças importantes, como o desgaste físico, o tipo de calçado utilizado, o período de intervalo entre os dois tempos, as posições dos jogadores e a quantidade de substituições.

Embora o esporte praticado seja o mesmo, as variações fazem com que o futebol de salão e o futebol de campo sejam bem diferentes entre si. Jogadores profissionais até podem ter um bom desempenho em ambas modalidades, mas é preciso passar por uma série de adaptações.

Podemos dizer que as diferenças da educação online e a educação remota funcionam mais ou menos da mesma forma. A área é a mesma (educação), mas os meios são completamente diferentes (presencial ou a distância), o que significa que os resultados também mudam muito.

Assim como as táticas do futebol de campo não podem ser aplicadas no futebol de salão e trazer a mesma eficácia, e vice-versa, o planejamento do ensino presencial é bem diferente do que acontece no ensino a distância, e o máximo aproveitamento só será possível com um planejamento próprio para cada modalidade.

Entenda na prática algumas das boas práticas que o ensino online deve considerar

  1. Priorizar o engajamento utilizando tópicos recentes do mundo real e estudos de caso para estimular a discussão e até a emoção, incorporando interatividade e resultados mensuráveis ​​imediatos;
  2. Facilitar a organização e a navegação, removendo etapas e cliques desnecessários que não contribuem com nada para o aprendizado;
  3. Repensar a avaliação incentivando a pesquisa e o pensamento original em vez da memorização;
  4. Sempre responder à pergunta “Por que isso é importante para mim?” para os alunos, criando experiências de aprendizado intencionais e indo direto ao ponto do que eles realmente necessitam (em geral, desenvolver habilidades necessárias para o mercado de trabalho e para a vida).

O fato de dividir o mesmo espaço físico significa que os professores possuem uma comunicação direta com seus alunos, além de respostas imediatas. Todos participam da aula no mesmo momento e podem se conversar sem qualquer impeditivo.

O ensino a distância permite uma ótima comunicação, de fato, mas os processos funcionam de maneira diferente. É preciso se concentrar em uma plataforma online, em que a participação dos alunos e professores acontece de maneira peculiar.

Em relação aos recursos disponíveis, porém, o EaD está muitos passos à frente do que costuma ser praticado nas salas de aula. Os materiais de apoio podem ser compilados e facilmente acessados pelos alunos a qualquer momento, além da praticidade que os professores têm de ter os dados dos estudantes centralizados.

Há pontos que podem pertencer “aos dois mundos”, como as provas online e a correção automática de provas, recursos digitais perfeitamente capazes de serem aplicados às rotinas de aulas presenciais.

É por isso que o ensino online é uma alternativa muito melhor e mais completa do que o ensino remoto quando se fala sobre ter aulas na internet.

Leia também: Iniciativas na Educação para o controle do coronavirus: envie gratuitamente exercícios online para seus alunos

Qual é a solução, então, para o ensino online?

Que ele seja originalmente pensado para as plataformas virtuais, que trazem um verdadeiro mundo de possibilidades para professores e alunos.

Nosso intuito não é o de criar uma barreira entre a educação online e a presencial, como se elas não pudessem fazer parte do processo de aprendizagem dos alunos, de forma alguma, mas sim que o planejamento seja adequado para o que todos terão à disposição.

O Coronavírus mostrou como as instituições de ensino podem se preparar para o EaD e como essa mudança é urgente. A massiva adoção dos alunos do ensino superior pelo ensino a distância é uma prova cabal de que a modalidade só tem a crescer ainda mais com o passar do tempo.

É fato que a educação remota está sendo adotada como uma solução emergencial neste momento de pandemia e que é muito melhor colocá-la em prática do que ter um ano totalmente perdido para a educação, mas quando se pensa em algo a médio e longo prazo, o conceito de educação online ganha bastante força.

Os desafios da transformação digital na educação existem, sem sombra de dúvidas, mas podem (e devem) ser superados por quem ainda deseja se manter relevante neste cenário.

Por fim, podemos dizer que saber como instituições de ensino podem se preparar para o EaD nunca foi tão importante quanto é hoje, e quanto antes isso for colocado em prática, melhor será para todos os envolvidos: professores trabalharão melhor, alunos aprenderão com mais qualidade e instituições ganharão alunos.

Depois de esclarecer as diferenças entre ensino online e ensino remoto, nossa sugestão é que sua instituição de ensino se prepare para o futuro, e saiba que as soluções da Prova Fácil podem ajudar muito nisso. Quanto mais rápido se adequar às novas tecnologias, mais rápido também você colherá todos os seus bons frutos!