Escola do Futuro: como será daqui a 30 anos?

23 de outubro de 2015
escola do futuro

A pergunta é boa. E um exercício de futurologia, já que é difícil prever os caminhos que a humanidade irá traçar nas próximas décadas. Mas podemos fazer um exercício para ver como já evoluímos dos últimos 30 anos para cá. Como era a escola em 1985?

Naquela época, saíamos de uma ditadura militar, após um período de 21 anos em que militares se revezaram no poder e, no qual, as escolas não escaparam. Principalmente da vigilância, da censura a alunos e professores e da perseguição aos que eram considerados “inimigos do regime”. A partir da década de 1980, sobretudo após o fim da ditadura, a relação entre professores e alunos começou a ficar mais próxima, a rigidez em sala de aula também se tornou mais flexível e as discussões e debates passaram a ocupar o lugar do silêncio, da disciplina e da ordem.

No entanto, em 1985, ainda imperava a noção clássica de sala de aula: o professor à frente, um grande quadro negro cheio de anotações, provas, trabalhos e exercícios. De lá para cá uma mudança importante aconteceu: o avanço tecnológico, que alterou a forma como o conteúdo passou a ser transmitido na escola. Ao longo dos anos, conforme as ferramentas eram criadas e se popularizavam, vídeos, textos digitalizados, fotografias, pesquisas online e, mais recentemente, o uso de aplicativos, smartphones e outras ferramentas digitais complementaram o que antes era passado somente por meio das palavras impressas em livros. Até essa realidade bastante moderna, como conhecemos hoje, será profundamente alterada nas próximas três décadas.

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Escola das coisas: estaremos todos conectados?

Alguns estudos que estão sendo elaborados por institutos renomados (como o Pew Research Center) já cunharam o termo “internet das coisas” como uma das tendências para as próximas décadas. A partir dessa ideia, pessoas e objetos estarão conectados. Você será avisado sobre o que falta na geladeira, estradas alertarão para a necessidade de uma manutenção em breve e você poderá monitorar suas funções vitais, como a pressão ou o batimento cardíaco. Na verdade, a internet das coisas já existe hoje, mas ainda é restrito a alguns dispositivos supermodernos.

Nessa lógica, a escola, claro, não ficará de fora.

Evoluir para incluir

Pessoas com deficiência visual, locomotora ou de audição terão condições melhores de aprendizado. Hoje, a tecnologia já ajuda no ensino dessas pessoas mas, exceto por iniciativas pontuais, a escola não é adaptada para tratar o aluno com deficiência da mesma maneira de um outro estudante que não tenha necessidades especiais.

E como será a escola daqui a 30 anos, nesse aspecto? Um aluno com dificuldade para enxergar, por exemplo, será reconhecido por um computador e, automaticamente, o sistema aumenta a fonte do texto para facilitar a leitura. Professores terão suas vozes reconhecidas por ferramentas digitais e transformadas em linguagem de sinais para quem não escuta. Dessa forma, ensinar para alunos com necessidades especiais não demandará uma atenção tão diferenciada como acontece hoje em dia.

Automatizar tarefas e aumentar a eficiência

Programas que reduzem o tempo gasto por atividades que gestores e professores têm obrigação de fazer, como montar quadro de horários de docentes e disciplinas ou corrigir provas, já existem. É o caso do Prova Fácil na Web, elaborado pela Starline, uma empresa brasileira de tecnologia em educação, que facilita a correção de provas fechadas.

Mas, e se as escolas fossem inteligentes o suficiente para calcularem a quantidade necessária para que não houvesse desperdício de água ou energia elétrica porque o sistema é inteligente o bastante para evitar gastos desnecessários? Com uma gestão mais eficiente, sobraria mais tempo e dinheiro para investir no plano pedagógico, por exemplo.

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Teletelas

O termo criado por George Orwell no famoso livro “1984” pode voltar em um conceito diferente. Naquela época (a obra foi escrita ainda na década de 40) as telas existiam para vigiar as pessoas. A noção de privacidade praticamente não existia. As telas estavam por toda a parte e sempre a serviço do Estado.

No nosso futuro educacional, por exemplo, a realidade será outra. Toda superfície é uma tela em potencial – não somente os smartphones e tablets, que hoje já estão dentro da sala de aula. O quadro negro, as carteiras, os cadernos… todas essas superfícies servirão como tela que podem ser conectadas entre si. Conteúdo poderão ser mais facilmente compartilhados e a aula será integrada.

A escola fora da sala de aula

Assim como o trabalho já tomou um tempo que extrapola aquele em que o funcionário se encontra dentro do espaço da empresa, a tendência é que a escola seja cada vez menos algo restrito à sala de aula e faça mais parte do ambiente em que o aluno vive como um todo. As aulas ministradas por um professor serão cada vez mais complementadas por recursos digitais – vídeos, visitas virtuais, infográficos. Com tanta informação circulando pelos mais variados meios possível, o professor será menos alguém que está ali como fonte única de transmissão de conhecimento que uma espécie de tutor, ou melhor, curador de todo esse conteúdo. Dessa forma, a escola de 2045 exigirá docentes antenados com a realidade que vive o aluno.

Todos os adolescentes dentro de sala de aula?

Embora seja uma prerrogativa constitucional, a de que o Estado deva fornecer educação universal aos jovens, de fato, isso só aconteceria em 2044. Isso se seguirmos o ritmo de inclusão educacional que temos hoje. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com o Observatório da Juventude da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no ano passado apenas 59% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estavam dentro da sala de aula. Mesmo pequena, essa inclusão é maior que a que foi constada dez anos atrás, em 2004, quando metade desses jovens estavam regularmente matriculados.

Seguindo essa tendência de crescimento, portanto, somente em 2044 teríamos todos os adolescentes brasileiros com idade para cursar o ensino médio, de fato, cursando o ensino médio. Hoje, para se ter uma ideia, são 1,7 milhão de jovens na faixa etária entre 15 e 17 anos fora das escolas. A radiografia desses dados aponta para uma situação complicada: apenas 17% desses adolescentes estão na série correta e dois terços estão atrasados, boa parte ainda no ensino fundamental. Bom, imaginar que todos os alunos que deveriam estar no ensino médio estariam cursando, de fato, é uma boa notícia. Mas realmente precisamos demorar três décadas para isso?

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