Qual é o papel do Professor na atualidade?

14 de setembro de 2015
papel do professor na atualidade

Países que apresentam grande desigualdade de renda, como o Brasil – em que 71 mil brasileiros concentram um quinto de toda a riqueza produzida no país, de acordo com dados da Receita Federal – veem na educação um dos principais reflexos dessa problema estrutural. O ciclo funciona mais ou menos assim: quanto maior é a desigualdade de renda, menor é o acesso do aluno a uma educação de qualidade, menor também é a chance de se conseguir um trabalho qualificado o que, consequentemente, agrava ainda mais o cenário de desigualdade. Um ciclo que se mantém geração após geração.

As lacunas observadas no desenvolvimento cognitivo das crianças provenientes de famílias pobres em relação àquelas cujos pais têm melhores condições financeiras surgem bem antes de os alunos iniciarem a primeira série do ensino fundamental. No Equador, por exemplo, ainda aos cinco anos de idade as crianças mais pobres têm, em média, um atraso de um ano e meio em seu desenvolvimento cognitivo, na comparação com outras crianças da mesma idade, mas que tem famílias com uma situação econômica mais privilegiada.

Além de um ambiente familiar propício, os professores são o fator mais importante para afetar o aprendizado dos alunos. Mesmo com essas evidências, professores ainda enfrentam problemas de capacitação e tem vários desafios para superar esse cenário:

  • Falta de incentivos formais
  • Falta de tempo
  • Conteúdos equivocados
  • Imediatismo e falta de políticas de longo prazo
  • Más condições de trabalho
  • Alta rotatividade

Um estudo realizado no Equador e batizado de Closing the Gap (Eliminando a Lacuna, em tradução livre), visa compreender melhor o que faz com que alguns professores sejam melhores ou piores do que outros e descobrir como os próprios docentes podem ajudar a compensar, nas salas de aula, um ambiente de aprendizado em casa que está longe de ser o ideal. O estudo está coletando e analisando as características e o desempenho de uma amostra de 15 mil alunos e de seus respectivos professores desde o momento em que aqueles iniciam o jardim de infância, em 2012, até que eles completem a primeira série do ensino fundamental, durante o ano escolar de 2013-2014.

Apenas dois outros estudos podem ser comparados com o desenho e a amplitude do estudo equatoriano: o primeiro deles é o projeto STAR, do estado norte-americano do Tennessee, que teve início na década de 1980. O segundo é o curso “Avaliando o Ensino Eficaz”, estudo financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, que enumera algumas situações em que os docentes podem fazer a diferença. Confira algumas das conclusões preliminares:

Um bom professor sozinho pode ter um impacto significativo para eliminar a lacuna entre estudantes de alto e de baixo desempenho

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Em média, os alunos que tiveram os melhores professores como educadores, em determinada escola tiveram a probabilidade de caírem no grupo das que tiveram o pior desempenho reduzida em nove pontos percentuais. Esse efeito é significativo em todas as três dimensões estudadas: linguagem, matemática e funções executivas (também conhecidas como controle cognitivo e sistema de supervisão da atenção)

Um bom professor consegue influenciar alunos de classes sociais opostas com mesmo grau de impacto

Esses resultados sugerem que um estudante que pertença ao grupo dos 20% mais pobres do Equador, mas que seja ensinado por um professor altamente eficaz pode ter um desempenho tão bem quanto uma criança que está no topo da pirâmide de renda – entre os 20% mais ricos – mas que tem um professor menos eficiente.

Um bom professor supera a distância entre alunos independentemente da escolaridade da mãe

Se atribuída a um professor eficiente, uma criança cuja mãe tem apenas o ensino fundamental pode ter um desempenho tão bom quanto uma criança cuja mãe concluiu o ensino médio, mas que tenha um professor ineficiente.

Um bom professor tem duas vezes mais impacto sobre o aprendizado do que programas como o Bolsa Família

No caso do Equador, esse efeito é quase o dobro do efeito do recebimento de salários por meio do programa de transferência condicional de renda do país. Programas como o Bolsa Família, por exemplo, são chamados de “transferência condicional” porque oferecem pagamento fixo a famílias que precisam, em troca, assumir determinados compromissos, como manter as crianças matriculadas e presentes nas escolas.

Para concluir as afirmativas acima, o estudo do Equador envolve 204 escolas, cada uma delas com duas a seis turmas de jardim de infância. Os alunos foram divididos aleatoriamente entre os professores. As crianças também tiveram seus níveis de desenvolvimento cognitivo avaliados individualmente para que fosse possível estabelecer uma base de comparação por meio de um teste de vocabulário receptivo. Este tipo de teste mede a capacidade de uma criança para descrever, com apenas uma palavra, objetos, ações e conceitos apresentados em imagens.

Para a coleta de dados sobre as características dos professores e sua qualidade é utilizado outro método interessante: cada sala de aula é filmada durante um dia inteiro de aula, e as interações entre professores e alunos nos vídeos resultantes são codificadas seguindo uma metodologia conhecida como Sistema de Avaliação e Pontuação da Sala de Aula, ou simplesmente, CLASS. Essa metodologia, que é amplamente utilizada nos Estados Unidos para avaliar programas educacionais como o Head Start, mede a qualidade das interações professor-aluno em três dimensões fundamentais: a sensibilidade dos professores em relação aos pontos de vista e opiniões de seus alunos, a organização da classe, que inclui a produtividade e os formatos de aprendizado e o respaldo pedagógico. Pesquisas internacionais sugerem que as crianças cujos professores alcançam uma pontuação alta no CLASS aprendem mais.

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