Qual o papel do professor no Século 21?

30 de março de 2016
papel do professor

Um jovem professor que tenha entrado na magistratura nos últimos anos pode não ter tempo de experiência profissional suficiente para analisar o quanto mudou a profissão de docente no Brasil nas últimas décadas. No entanto, quem tem mais tempo de carreira teve que passar por uma série de adaptações ao longo do tempo até chegar ao ensino da segunda década do século XXI, que tem pouca semelhança com o que fomos acostumados há 20 anos. Se, no final do século passado as maiores preocupações do professor eram com o preparo e a condução da aula dentro da sala, hoje, essa é só mais uma das atividades que o professor moderno tem que lidar diariamente. A partir de meados da década de 1980 e, sobretudo dos anos 1990, houve uma mudança brusca no perfil dos estudantes, se comparado com a da geração anterior. Os alunos que hoje estão sentados nas carteiras de escolas ou de universidades têm valores diferentes de seus pais. Um exemplo é a relação com o trabalho e a profissão. Enquanto os pais desses jovens buscavam uma carreira estável e duradoura em uma empresa bem-sucedida (o que era visto como status, na época), eles têm menor relação de apego com a profissão ou um trabalho e optam por fazer “coisas que gostam”, abrir seus próprios negócios e ficar menos tempo em uma determinada empresa. Escolhemos alguns temas que influenciaram diretamente nesse processo de mudança pelo qual os docentes passaram nesses últimos 20 anos. As transformações foram causadas, principalmente, após mudanças sociais e tecnológicas e que atingiram toda a sociedade – assim como a área da educação. Confira!

A tecnologia como motor capaz de mudar a educação

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Um aspecto fundamental para toda essa mudança é a Revolução Tecnológica. Se ela chegou nas mais diversas áreas – como transporte, comunicações, finanças, por exemplo – atingiu também a educação. Sobretudo no século XXI, a criação de novas ferramentas iniciou um ciclo muito acelerado de novidades. Empresas começaram a pensar alternativas que, baseadas na tecnologia, pudessem encurtar as distâncias entre atividades complexas ou que gastavam tempo demais dos alunos, professores e gestores educacionais. Nesse aspecto também entra a relação dos alunos das novas gerações com esses dispositivos. Os estudantes de hoje foram criados em um ambiente em que essas ferramentas já estavam dentro de suas casas, a seu alcance. Ou seja, moldaram sua concepção de vida também em torno de aparelhos eletrônicos e suas funcionalidades. Por isso, é essencial que professores que não são da mesma geração se aproximem dessas ferramentas, saibam como elas funcionam, para que possam entender seus próprios alunos. Citamos duas dessas evoluções:

  • Smartphones e tablets: impensáveis há uns anos atrás, a evolução do celular permite que você tenha acesso a textos, vídeos, gráficos, etc., em qualquer lugar. Além disso, permite maior compartilhamento de informações e mobilidade.
  • Aplicativos: passaram a elencar mil possibilidades para o ensino. Hoje, há uma gama de aplicativos capazes de fazer uma ponte entre alunos e professores e facilitar o trabalho de cada um. O Prova Fácil, por exemplo, permite corrigir provas de múltipla escolha automaticamente, economizando tempo do professor que tem que comparar as folhas de respostas uma a uma.

Internet: o que faltava para encurtar tempo e distância

A mais significativa das mudanças no processo de educação nos últimos anos é a popularização da internet. Ao passo que, ao longo da última década o acesso foi ficando mais barato, outras ferramentas – como smartphones, tablets e outros dispositivos – surgiram, o que alavancou o número de usuários. Hoje, no Brasil, nada menos que 51,6% do total da população se enquadra nesse aspecto. Há 20 anos, apenas 0,5% dos brasileiros conseguiam se conectar à rede. Com esse avanço, houve a popularização de cursos à distância, que dispensavam a presença física de alunos e professores dentro de sala de aula, mas que preservava os métodos de ensino. O Ensino à Distância (EaD), portanto, foi ganhando formatos variados e se popularizando à medida em que atraía pessoas de localidades diferentes que não tinham disponibilidade para realizarem esse curso presencialmente. Alguns modelos de ensino via internet, hoje, têm se popularizado bastante.

  • MOOC: sigla em inglês para Curso Online Aberto e Massivo são disponibilizados por universidades de ponta que querem garantir que o aprendizado de um determinado conteúdo chegue a um número cada vez maior de pessoas espalhadas em diversos países. Professores de Harvard, MIT ou Stanford têm se dedicado a formatar MOOCs usando diferentes suportes (texto, vídeo, audiovisual) para garantir maior interesse e interatividade com os alunos.
  • Professores-youtubers: aguns profissionais abandonaram as salas de aula (ou conciliam uma atividade à outra) para apostar na criação de canais no Youtube e disseminar seus ensinamentos. Alguns deles chegam a ter mais de 200 mil pessoas inscritas e que acompanham regularmente suas aulas publicadas em vídeo fora do ambiente escolar.

E qual é o papel do professor?

papel do professor

Se a tecnologia toma lugares dos mais diversos, como o do material didático ou da aula dentro da sala de aula, essa pergunta é mais que pertinente: Qual é o papel do professor no século XXI, em um cenário de conciliação com a internet e suas novas funcionalidades? De certo modo, o papel desse “novo professor” é ainda mais relevante nesse processo. Hoje, temos alunos extremamente antenados e que não se conformam somente com as informações que recebem dentro da sala de aula. Esses estudantes buscam na internet outras formas de conhecimento – que vem em forma de texto, vídeo, imagens, infográficos e etc.   Nesse mar de informação (e também de desinformação) é fundamental que o professor se torne uma espécie de tutor. É seu dever orientar sobre a qualidade dessa informação e nortear o aluno em direção ao conhecimento correto. Além disso, o docente tem ainda outro papel: fomentar o espírito crítico nesses alunos para que eles saibam diferenciar uma informação de qualidade de uma ruim e, dessa forma, criar a própria consciência do que deve ou não ser aproveitado.