Pensadores atemporais: A educação de hoje vista do passado

6 de agosto de 2014
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“Age idiotamente aquele que pretende ensinar aos alunos não quanto eles podem aprender, mas quanto ele próprio deseja”. (Comênio)

 

Em tempos onde as discussões sobre a relação entre professores e alunos andam em alta, a citação do pensador tcheco Comênio (1592-1670) cai quase como uma luva. Muito se diz sobre o papel do professor e da escola na formação das crianças e adolescentes e, principalmente, a liberdade de expressão e até mesmo comportamental que esses alunos vêm ganhando. Mas, o que talvez não tenha sido colocado em destaque, ainda, Comênio já pensava em meados dos séculos XV e XVI: quais são as possibilidades e os interesses dessas crianças? Como se constitui a educação do futuro?

 

O acesso às informações tornou-se um processo simples e prático. Sejam crianças, adolescentes ou adultos, se conectar ao mundo está muito fácil – e isso impacta na forma como nos relacionamos com as pessoas. Isso não é diferente no meio educacional. Os alunos já chegam às escolas com uma bagagem de informações considerável, o que os dá condições de, involuntariamente, saber do que gostam e o que os despertam interesses.

 

Porém, ainda que todo esse acesso a informações variadas influencie na postura e formação desses alunos, a escola e os professores têm um importante papel na mediação da tomada de consciência desses cidadãos que, afinal, estão ajudando a formar. E esse papel já era bem visto pelo filósofo italiano Antonio Gramsci, uma das referências essenciais do pensamento de esquerda no século 20.

 

Para Gramsci, uma tomada do poder deveria ser precedida por mudanças de mentalidade, onde os agentes principais dessas mudanças seriam os intelectuais e, um dos seus instrumentos mais importantes, a escola. Se os profissionais da educação têm, então, esse “poder” de conscientização sobre seus alunos, pode-se entender que há aqui uma relação de hegemonia, um dos pilares do pensamento gramsciano, que nada mais é do que a relação de domínio de uma classe social sobre o conjunto da sociedade.

 

Gramsci e Comênio viveram em épocas diferentes e suas ideias não necessariamente convergiam. Enquanto para o filósofo italiano a educação é uma luta contra os instintos ligados às funções biológicas elementares, uma luta contra a natureza, para dominá-la e criar o homem ‘atual’ à sua época, para o tcheco a prática escolar deveria imitar os processos da natureza. Nas relações entre professor e aluno seriam consideradas as possibilidades e os interesses da criança. O professor passaria a ser visto como um profissional, não um missionário, e seria bem remunerado por isso.

 

Ainda que um pouco divergentes, os ideais e pensamentos lançados por ambos são aplicáveis aos dias atuais. Talvez uma reforma educacional já tenha sido dita e escrita, precisa apenas ser reorganizada e adaptada as novas necessidades.

“A tendência democrática de escola não pode consistir apenas em que um operário manual se torne qualificado, mas em que cada cidadão possa se tornar governante”. (Antonio Gramsci)

 

O papel dos educadores se torna evidente e indispensável sob o ponto de vista tanto de Gramsci quanto de Comênio. Sendo assim, cabe a esses adultos entender a importância do seu papel na formação dessas crianças e adolescentes não só profissionalmente, mas também do cidadão pensante e atuante diante dos interesses da sociedade.

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