Como ser um professor inovador: 5 aplicativos para te ajudar

16 de novembro de 2015

Dentre todas as novidades trazidas pela tecnologia na educação, o uso do celular na sala de aula é considerado hoje um dos maiores desafios dos professores brasileiros. Mais do que a dispersão e falta de concentração no conteúdo ministrado em sala, os celulares também funcionam como apoio ao aprendizado dos alunos que, por vezes, preferem assistir vídeos nas vésperas de provas à prestar atenção nas aulas.

A proibição do uso do aparelho não afasta o problema: pesquisas mostram que a restrição causa mais evasão de alunos do que engajamento em sala de aula. Com o problema posto, resta aos mestres o desafio de encontrar novas formas de ministrar conteúdos e se posicionarem como facilitadores do aprendizado dos alunos. Tem até professor que já desenvolveu formas de dar aulas por meio do Whatsapp.

professor inovador

O diretor de educação da Fundação Santillana (Espanha), Mariano Jabonero, defendeu recentemente em um encontro em Madri que logo chegará a hora em que os professores dirão ao iniciar uma aula: “Liguem seus celulares”. Ele cita alguns motivos que embasam essa ideia:

  • Os celulares já são considerados um prolongamento dos nossos braços
  • Os professores já estão tão familiarizados com a tecnologia quanto os alunos
  • As coordenações de tecnologia já supervisionam o ensino em algumas escolas, acompanham o professorado e fazem adaptação ao currículo.
  • Os professores aprendem diretamente com os especialistas na área e não mais em cursinhos de informática, como costumava acontecer.
  • Recursos digitais para facilitar a vida dos professores já estão sendo disponibilizados
  • Aplicativos colaboram para a transmissão de conhecimento a alunos.

Sobre o último ponto, há até mesmo o relatório recente da Unesco, “Lendo na Era do Celular”, que comprove o fato: segundo o estudo, em países com altos índices de analfabetismo, pessoas que possuem aplicativos de leitura instalados no celular leem 62% a mais do que aqueles que tinham acesso apenas a livros de papel.

O mesmo relatório aponta uma realidade interessante: somos 7 bilhões de habitantes no planeta, apenas 4,5 bilhões destes com acesso a banheiros, mas 6 bilhões com telefones celulares. Diante de dados como esses, reunimos aqui uma lista de aplicativos úteis aos professores e alunos:

  • O Replay4me é um aplicativo que permite ao professor gravar suas aulas e avaliar as suas aulas. O objetivo dele é, com isso, encorajar os professores a reverem sua postura, atitudes e habilidades dentro de sala de aula. Os vídeos são compartilhados dentro da plataforma do Replay4me com os alunos e, assim, o aplicativo pode assumir um papel de “Netflix da educação”, como dizem seus criadores. Isso porque o aluno recebe recomendações sobre o que é o conteúdo ideal de acordo com o seu perfil. Os professores podem ainda pedir feedback sobre sua performance para colegas e coordenadores. O uso do app depende da aquisição das escolas e, junto com ele, vem junto também uma base giratória com sensor para acompanhar os movimentos dentro da sala de aula e estabilizar a câmera. O plano mensal do aplicativo custa a partir de R$19,00, mas existem condições especiais para escolas com até 200 docentes ou comunidades de baixa renda.

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  • A Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou o aplicativo VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. A ferramenta surgiu da percepção de que a tendência do mundo é compor o que há de impresso e digitalizado no mundo e disponibilizá-lo por meio de serviços de internet. Com isso, o aplicativo dá acesso a mais de 400 mil verbetes do dicionário com a ortografia oficial da língua de forma gratuita, por meio de tablets e celulares. Alguns recursos interessantes oferecidos pelo aplicativo é a possibilidade de autocompletar as palavras, que facilita a digitação em telas pequenas, e a regulagem do tamanho da fonte, para atender às pessoas com dificuldade de leitura. A expectativa é que o aplicativo seja bastante demandado, já que o site recebe cerca de 1,6 mil perguntas por mês sobre gramática e ortografia portuguesa.
  • O aplicativo Prova Fácil Professor foi desenvolvido para que os professores criem e gerenciem provas de múltipla escolha a partir de seus smartphones. O aplicativo utiliza a câmera do aparelho para escanear a página de respostas dos alunos, conferindo automaticamente seu índice de acerto e a nota que lhe cabe. Ao final da correção, é possível gerar um relatório sobre o desempenho da turma e quais as questões com maiores índices de erros e acertos. Desta forma, o aplicativo auxilia os professores em atividades que garantem economia de tempo, como diagramação de provas, acesso fácil ao banco de questões, correção automática e gerenciamento de relatórios.
  • Os professores que têm tablets enviados pelo Ministério da Educação já podem acessar ao aplicativo lançado pelo Ministério da Justiça. O objetivo é auxiliar os professores a buscarem informações sobre classificação indicativa de programas de televisão, filmes e games e oferecer conteúdos a serem adotados dentro de sala de aula. A ideia é que, com essa ferramenta, o professor assuma também uma posição de defesa dos direitos das crianças e adolescentes. Em uma segunda etapa de desenvolvimento, o aplicativo será disponibilizado abertamente para a sociedade.
  • O Guten é um aplicativo desenvolvido como um jornal interativo que traz notícias na linguagem infanto-juventil. Com jogos, missões e atividades, o objetivo é ajudar os peauenos a ampliarem o entendimento do texto. Como nos jornais tradicionais, o Guten News também é organizado por editorias como Brasil, Mundo, Bem-estar. Cultura e Comportamento. As edições são semanais e desenvolvidas por jornalistas que buscam aproximar a linguagem das crianças. Um dos objetivos é também ajudar os alunos a desenvolverem a competência da leitura, que hoje coloca o Brasil em 55º lugar do PISA- Programa Internacional de Avaliação de Alunos. O aplicativo é gratuito e disponível apenas para IPad. Em breve, a start-up deve disponibilizar a opção de relatórios pagos que identificam as principais dificuldades de leitura das crianças.

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