5 Projetos Educacionais que deram certo

22 de outubro de 2015
projetos educacionais que deram certo

Educação não é a mesma coisa em todo lugar. Ainda que a maioria de nós tenha sido educado em um espaço pra lá de tradicional – escolas com projetos arquitetônicos semelhantes, mesas e cadeiras dispostos em fileiras, horários rígidos, grades de disciplinas e horários definidos por uma comissão de professores e educadores, para ficar em alguns exemplos mais óbvios e comuns – há gente que aposta em modelos diferenciados, e o melhor: que alcança resultados muito interessantes.

Essas ideias variam e agregam alguns conceitos para transformar a realidade da escola. Seja por meio da introdução da tecnologia dentro da sala de aula e romper com o formato tradicional de um professor que escreve no quadro negro para uma turma sentada em carteiras individuais. Ou, ainda, por aproveitar a realidade de uma região para que ela sirva de inspiração para que os próprios alunos possam mudar o lugar em que vivem. Romper com regras antigas e pré-estabelecidas, como a de divisão dos estudantes em séries conforme as idades dos alunos também é a aposta de outros projetos.

O que de mais importante une os 5 projetos educacionais que deram certo e que apresentaremos a seguir é que, em todos eles, seus idealizadores passaram a enxergar a educação como uma ferramenta de transformação social: seja de uma região carente ou do próprio indivíduo. Vamos a elas? Boa leitura!

projetos educacionais que deram certo

Aliando habilidades para formar jovens inovadores

Unir o ensino médio com o ensino técnico e criar um caldeirão criativo e de formação de jovens protagonistas foi a ideia do Colégio Estadual José Leite Lopes, no Rio de Janeiro. Atenta aos novos tempos, a escola foca no meio digital para oferecer formação especializada em três áreas: roteiro para mídias digitais, multimídia e programação para jogos digitais.

Com esse traçado inovador, os estudantes saem do colégio com diploma de ensino médio e técnico e já com diversas habilidades para atuar em um mercado moderno e dinâmico. Explorar as capacidades criativas e empreendedoras desses alunos rende bons resultados também em exames tradicionais, como o Enem. A Escola Nave, como também é conhecida, está entre as melhores da rede estadual de ensino fluminense nas últimas edições.

Driblando a falta de infraestrutura

Ilha de Maré é uma localidade que abriga cerca de 5 mil pessoas distribuídas em nove comunidades quilombolas. O lugarejo, uma ilha próxima à cidade de Salvador, sofre com dificuldade de acesso, que impacta, por exemplo, na qualidade da internet na ilha. Partindo desse problema, 20 estudantes que vivem em comunidades locais foram capacitados e desenvolveram uma tecnologia que foi batizada de VOJO.

A ferramenta usa a tecnologia Voz sobre IP (Voip) para transmitir conteúdo em áudio por meio de celulares ou até mesmo telefones públicos. A VOJO permite aos moradores da Ilha de Maré transmitir para fora de seus limites o que acontece ali dentro, como a dificuldade que os alunos enfrentam com relação ao transporte escolar. O projeto ganhou apoio do MIT, uma das maiores instituições de ensino voltado para a tecnologia do mundo.

Robôs que ensinam

Não se trata de ficção, mas de levar aos alunos o aprendizado de uma forma diferente. A Robotslab, uma empresa sediada em São Francisco, nos Estados Unidos, leva robôs às salas de aula para que os estudantes possam aprender sobre matemática, tecnologia, engenharia, dentre outros assuntos. É possível programar as máquinas para que elas possam fazer atividades tipicamente humanas, como bater palmas ou dançar. Com isso, os alunos aprendem também sobre computação, mecânica, controle e eletrônica.

O objetivo é espantar o tédio e desinteresse de alunos para aulas tradicionais de matérias como matemática e física e transmitir o conhecimento aliado à curiosidade. No Brasil, um robô é usado em uma escola pública de Recife tanto para auxiliar na educação de alunos mais novos, ainda em processo de alfabetização, quanto para os mais velhos, que já começam a aprender a programar.

Construindo pontes

Uma das principais inovações na educação partiu de Portugal, ainda na década de 70. A ideia da Escola da Ponte, criada pelo professor José Pacheco, se espalhou e virou objeto de estudo em todo o mundo. Esqueça o modelo tradicional: alunos divididos em séries definidas pela idade comum entre os estudantes. A Escola da Ponte, que fica em uma cidadezinha perto do Porto, aboliu a divisão por séries. Os alunos, mais novos ou mais velhos, se unem entre si de acordo com seus gostos pessoais para desenvolver projetos de pesquisa. As decisões também são tomadas por eles, muitas vezes organizados em assembleias.

Se compararmos o modelo utilizado pela instituição portuguesa com o que é base no Brasil, vamos notar inúmeras diferenças. Uma outra é que não existem disciplinas, mas dimensões de ensino que agregam diversas áreas do conhecimento: linguística, lógico-matemática, naturalista, identitária, artística e pessoal e social. Mesmo com tantas diferenças, algumas experiências em solo brasileiro já começam a se desgarrar do modelo tradicional ao qual estamos acostumados.

Adaptando para reduzir as diferenças

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É o caso do Projeto Âncora, criado em 1995 em Cotia, no interior de São Paulo, em uma região marcada pela desigualdade social. Com foco nas crianças e adolescentes carentes que viviam no entorno do espaço, a proposta oferecia, no contraturno das aulas em escolas públicas da região, atividades educativas para garantir cidadania em uma região que carecia desse valor. No entanto, a proposta mudou 16 anos após a fundação já que os educadores perceberam que o trabalho era prejudicado assim que os estudantes deixavam o espaço e entravam no ensino regular.

Para dar continuidade à proposta, o Projeto Âncora apostou na criação do ensino fundamental nos moldes da Escola da Ponte, que já citamos aí em cima. Assim como na experiência portuguesa, os alunos não são divididos em séries, as decisões são tomadas em assembleia e os espaços são amplos (com direito a uma lona de circo, pista de skate, salões com mesas de grupo e individuais). Com essas características, o aluno se envolve mais no processo pedagógico e no aprendizado, de uma forma geral.