Tendências educacionais no mercado da educação

6 de maio de 2015
tendencias educacionais

Um seminário recente da Fundação Santillana em conjunto com a Unesco, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a educação e a cultura discutiu, em São Paulo, as tendências do uso da tecnologia para a área da educação. O documento final do evento dá uma ideia de como deve ser tratada essa questão: “O uso bem-sucedido da tecnologia sempre vai acompanhado de reformas em outros aspectos – como currículo (escolar), avaliação e desenvolvimento profissional dos docentes”, diz o texto.

Há ainda, mesmo no século XXI, uma visão de que a tecnologia pode comprometer o ensino tradicional, nos moldes como nós, nossos pais ou avós fomos ensinados. No entanto, a educação também deve abrir-se para esse novo mundo que está sendo construído já há alguns anos por meio dessa revolução tecnológica.

Segundo o documento da Unesco uma combinação de fatores está rompendo as barreiras da aprendizagem e tem feito com que uma série de ambientes institucionais tradicionais se aproximem de contextos cotidianos. A difusão de tecnologias de conexão móvel e a proliferação de conteúdos abertos são apontadas pela pesquisa como as principais causas dessa transformação. Além disso, elas são potencializadas quando somadas aos novos modos de trabalho do mundo contemporâneo, que estão demandando um profissional com habilidades mais relacionadas com a vida como um todo do que apenas com a academia. Isso reforça o aprendizado como fluxo contínuo, fora dos muros da escola.

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Tecnologia para ajudar o professor, não para substituí-lo

“Uma das imagens mais caricaturescas difundidas da tecnologia na educação representa um computador que substitui o docente, oferecendo automaticamente a informação aos estudantes. Mas isso tem levado a resultados pobres, particularmente quando a ênfase dos currículos já não está apenas nos conhecimentos, mas também nas competências”, diz o documento da Unesco apresentado no seminário em São Paulo.

Introduzir novos equipamentos ou ferramentas no ambiente escolar não quer dizer que o professor será substituído. Pelo contrário. Especialistas avaliam que, se a internet, tablets, smartphones, computadores, aplicativos e outros instrumentos forem utilizados como estímulo para aguçar a imaginação, a percepção e a interação de alunos, por um lado, e como suporte ao trabalho dos professores, por outro, podem ter impactos positivos não somente com relação a notas melhores, mas principalmente no desenvolvimento de habilidades e no engajamento dos estudantes.

Sob esse prisma foi criado o conceito de “sala de aula invertida” – ou flipped classroom, em inglês. A aplicação do termo consiste em dividir ambientes de aprendizado em online e offline. Fora da sala de aula, o aluno aprende por meio de aulas em vídeo ou games. Dentro da sala, é hora de se dedicar aos exercícios.

Apresentando o aluno à internet

Esse intertítulo pode parecer um contrassenso, já que a geração atual de estudantes nasceu e foi criada em meio aos equipamentos eletrônicos e a internet. No entanto, é preciso sim ensiná-los que a rede vai muito além dos sites de busca e das redes sociais. Explorar novas iniciativas é proposta do projeto Globe, por exemplo, que conecta mais de 4 mil escolas ao redor do mundo com cientistas. Dessa forma, os alunos podem buscar explicações científicas para situações que vivem no cotidiano de suas comunidades.

Outra iniciativa interessante é o Padlet, um mural online em que alunos e docentes podem compartilhar projetos em comum por meio da internet. A ferramenta já é utilizada em algumas escolas da rede pública de ensino no Brasil. Algumas experiências mostram alunos que criar seus próprios sites por meio desse dispositivo, desenvolvendo a criatividade, as múltiplas habilidades e a produção de conteúdo próprio.

Deslizando pelos tablets

São mais de 25 milhões de unidades de tablets em todo o país, como se cada morador de Minas Gerais utilizasse um desses dispositivos. Com esse volume de equipamentos no Brasil não é nenhum exagero afirmar que as telas “touch” são uma das tendências para a educação. Aliás, quem concluiu isso foi a própria Unesco. E isso por que essas ferramentas têm uma série de funcionalidades, como acesso a internet, velocidade de compartilhamento de informações e portabilidade, já que podem ser levadas para qualquer lugar e permitem que o usuário esteja sempre se movimentando, sem perder suas características.

A vantagem dos tablets é que eles são portáteis e mais econômicos do que manter uma sala de informática em uma escola. Em geral, os tablets são fornecidos por meio do poder público ou por aquisição do próprio aluno. Com a popularização do aparelho, uma alternaiva utilizada pelas instituições de ensino é investir em aplicativos específicos ou na qualidade da internet.

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Trazendo o contexto para o ensino

A tecnologia, se usada com consciência e com objetivos claros, podem transformar alunos espectadores em pessoas criativas, inovadoras e cooperativas.  Especialistas afirmam que alunos que se envolvem mais na elaboração de um projeto e veem sentido na aplicação prática do conhecimento, aprendem de uma maneira melhor do que se tivessem acesso somente a um livro didático. Nos Estados Unidos, por exemplo, estudantes dos anos finais do ensino fundamental resolveram criar um anuário escolar digital e um tour virtual por um museu. A iniciativa era introduzir as novidades aos alunos mais novos da mesma escola. Os gestores e os docentes concluíram que os resultados dessa inovação foram alunos mais comprometido com os estudos, já que viam algum propósito no projeto que estavam desenvolvendo.

Outras experiências foram feitas em diferentes países. No Equador, 55 alunos equipados com computadores simularam a abertura de um restaurante durante as aulas. Para isso, utilizaram ferramentas para controlar os gastos – por meio de planilhas como o Excel -, criar um website e desenhar panfletos para distribuição.

Na Colômbia, alunos de uma escola rural receberam tablets para desenvolver um projeto de proteção da bacia hídrica local e ajudar na análise de amostras de solo. Com a ajuda de apps educacionais, usaram a oportunidade para aprender os elementos da tabela periódica.

Uso de games mudar a forma de avaliação: se a forma de produzir conteudo mudou, a avaliação também deve mudar. alem disso, avaliação também deve medir a capacidade dos alunos de usar as plataformas digitais

Primeiro o fazer, depois o aprender. Essa é a base da cultura e da filosofia da universidade Franklin W. Olin College of Engineering, em Massachusetts, nos Estados Unidos. Lá os estudantes primeiro praticam e testam ideias para depois terem aulas teóricas sobre os assuntos relacionados aos projetos. “Desse modo, os estudantes entendem o porque desses conteúdos precisarem ser aprendidos. Eles apreciam e valorizam mais o que está sendo transmitido”, explica Lynn Andrea Stein, professora de computação e ciência cognitiva e diretora do Collaboratory, setor da instituição que tem como missão catalisar a mudança no ensino da engenharia.

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